Jornal da Band

PF aponta mensagens sobre repasses de R$ 20 milhões a empresa de Toffoli

Relatório detalha diálogos de dono do Banco Master e cita pagamentos à sociedade que tem o ministro do STF como integrante

Túlio Amâncio
TÚLIO AMÂNCIO

12/02/2026 • 19:05 • Atualizado em 12/02/2026 • 19:05

Um relatório de cerca de 200 páginas da Polícia Federal (PF) detalha o resultado de uma perícia realizada nos aparelhos celulares de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e de seu cunhado, Fabiano Zettel. O documento revela mensagens que mencionam pagamentos de R$ 20 milhões a uma empresa que possui o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, como sócio.

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As investigações fazem parte de um inquérito que apura uma possível fraude bancária de grandes proporções no país. Segundo a apuração, os investigadores encontraram ao menos quatro citações diretas ao valor milionário destinado à empresa Maridt. Toffoli é um dos sócios da companhia, que já deteve participação em um resort localizado no Paraná.

O monitoramento dos dispositivos também identificou trocas de mensagens diretas entre Vorcaro e o ministro Dias Toffoli. Entre os diálogos encontrados pela Polícia Federal, consta inclusive um convite enviado pelo magistrado ao banqueiro para sua festa de aniversário. Além do ministro, o dono do Banco Master mantinha contato com dezenas de parlamentares, entre senadores e deputados federais.

Investigação sobre o caminho do dinheiro

Apesar do teor das mensagens, a Polícia Federal informou que ainda não foi possível rastrear o caminho efetivo do dinheiro. Para avançar nesse estágio da investigação, que envolve um magistrado da suprema corte, a PF depende de uma autorização prévia da presidência do Supremo Tribunal Federal.

Até o momento, nenhum comprovante de transferência foi localizado nos aparelhos periciados. No entanto, os investigadores ressaltam que nenhuma hipótese foi descartada, inclusive a possibilidade de pagamentos terem sido efetuados em espécie. No relatório, a PF cita artigos da Lei Orgânica da Magistratura, que versa sobre indícios de crimes cometidos por juízes.

Toffoli nega irregularidades e admite sociedade

O ministro Dias Toffoli se manifestou sobre o caso e admitiu, pela primeira vez, que integra o quadro societário da Maridt. Segundo o magistrado, a empresa é um negócio familiar, devidamente registrado na Junta Comercial e com declarações apresentadas à Receita Federal, sendo administrada por seus parentes.

Toffoli esclareceu que a Maridt fez parte do grupo responsável pelo resort Tayayá até fevereiro de 2025. Na ocasião, as cotas foram vendidas em duas operações distintas: uma para o fundo Arleen, ligado ao Banco Master, e outra para a PHD Holding. O ministro afirmou que não conhece o dono do fundo Arleen, Fabiano Zettel, e que jamais teve relação de amizade com Daniel Vorcaro. Toffoli negou categoricamente ter recebido qualquer valor do banqueiro ou de seu cunhado.

Suspeitas em fundos previdenciários

A perícia no celular de Fabiano Zettel revelou ainda indícios de negociações irregulares com presidentes de fundos previdenciários. De acordo com o entendimento da PF, gestores desses fundos recebiam comissões "por fora", que variavam entre 4% e 10% do valor aplicado, para direcionar investimentos ao Banco Master.

Dados do Ministério da Previdência Social corroboram a movimentação financeira mencionada nas mensagens. O balanço indica que ao menos oito fundos previdenciários estaduais e municipais aplicaram recursos em letras de crédito ou fundos vinculados a Vorcaro. Ao todo, o montante investido por essas instituições alcança a cifra de R$ 3,5 bilhões.