
Taxa da farinha no Rio de Janeiro
Reprodução/Band
A cobrança da chamada "taxa da farinha", imposta por milicianos, se espalha também por favelas dominadas pelo tráfico no Rio de Janeiro. O esquema obriga comerciantes a comprar produtos dos criminosos.
Caminhão, funcionários e entregas do crime. Traficantes criaram uma espécie de central de distribuição para controlar a venda de alimentos em favelas da Zona Norte do Rio.
A logística montada por criminosos do Terceiro Comando Puro conta com vendedores e entregadores, a partir da cobrança da chamada "taxa da farinha" pelo grupo.
A existência desse pagamento, que começou em áreas de milícia, foi revelada pela Band, no mês passado.
A reportagem do Jornal da Band foi até a entrada da favela do Acari se deparou com um caminhão realizando a descarga de sacos de farinha.
Na região, o tráfico controla a venda de várias matérias-primas. Uma testemunha que teve a identidade preservada detalhou como funciona o fornecimento da farinha.
“Se você comprar fora, se eles pegarem. Com certeza, eles vão fechar o teu comércio. O vendedor, né, manda mensagem pra falar sobre a farinha, sobre os pedidos. Quem não tá comprando, eles ficam em cima, entendeu?”.
Os criminosos também cobram uma taxa de 10% em cima de materiais comprados por empresas maiores na área.
No Complexo da Maré, um saco de farinha chega a custar R$ 120. A cobrança da "taxa" veio à tona após a denúncia de comerciantes na zona oeste. Na mesma região, um dono de uma padaria foi assassinado ao se recusar a pagar a cobrança feita por milicianos.
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