Entenda como o tarifaço de Trump pode impactar a economia brasileira
A medida vai atingir, diretamente, a venda de café, soja, carne bovina, suco de laranja, petróleo e outros produtos

Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Os americanos compram cerca de 12% de tudo o que o Brasil exporta. Só no primeiro semestre deste ano, as vendas chegaram a 20 bilhões de dólares. Os chineses ainda lideram com folga e a Argentina aparece em terceiro lugar.
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Para entender, basta imaginar se todos os produtos que vêm dos Estados Unidos para o Brasil ficassem 50% mais caros: carros, celulares e eletrônicos em geral. Com o aumento, a saída seria buscar uma opção mais barata.
A alternativa de produtos mais baratos é o que deve acontecer com os produtos brasileiros que vão para os EUA a partir de agosto. O tarifaço de Trump vai atingir, diretamente, a venda de café, soja, carne bovina, suco de laranja, petróleo e outros produtos. Cerca de 12% de tudo o que o Brasil vende vai para o mercado americano.
"Esse aumento da tarifa pode transformar os nossos produtos em não competitivos. Ele vende menos, e isso impacta no PIB", explicou o economista Roberto Dumas
Trump diz que Brasil tem superávit em relações comerciais
A carta publicada pelo presidente americano com o anúncio da tarifa diz que o Brasil tem um superávit nas relações comerciais entre os dois países. Em contrapartida, os dados oficiais mostram que essa não é a realidade. Desde 2009, o saldo é negativo para o Brasil, ou seja, nós compramos mais do que vendemos.
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Um dia depois do anúncio do tarifaço, a questão é saber qual será o peso da reação brasileira. Os setores se dividem, neste momento, entre a preocupação e a precaução.
“Nesses últimos três meses, não existiu nenhum fato econômico que justificasse uma medida desse tamanho. Uma quebra nessa relação, com impacto nessa magnitude, teria muito prejuízo ao nosso crescimento. O mais importante nesse momento é intensificar as negociações”, diz Ricardo Alban, presidente da CNI.
O que os EUA estão dispostos a negociar?
Na carta, Donald Trump colocou como “vergonha internacional” a forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro e criticou o Supremo Tribunal Federal.
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“O nome que a gente dá para coerção econômica para fins políticos é sanção. Então, o Brasil está sendo sancionado pelos Estados Unidos. Isso demanda uma resposta criativa. Retaliação talvez não seja a melhor resposta”, disse o cientista político Carlos Augusto Poggio.
A frente parlamentar da agropecuária disse que o momento é de cautela e diplomacia. A confederação da agricultura e pecuária afirmou que as questões podem ser resolvidas por meio de diálogo.
Apenas em 2025, a exportação de aviões e outras aeronaves aos Estados Unidos chegou a quase 450 milhões de dólares. A Embraer disse que avalia os impactos nos negócios. O aço, um dos produtos mais exportados do Brasil aos EUA, não deve sofrer aumento na taxação, já que o produto teve as tarifas reajustadas em 50% no último mês.
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“Trump apresentou a pior carta para o Brasil. A nossa taxação é política. A questão é sentar e entender o que ele quer em troca e falar em abertura de mercado”, completou o economista Roberto Dumas.
