Resumo
Comércio Brasil-EUA enfrenta desafios com novo tarifaço anunciado por Trump, afetando exportações brasileiras como café e carne, com impacto potencial no PIB, conforme explicado pelo economista Roberto Dumas.
Reação brasileira ao aumento tarifário americano divide opiniões entre setores econômicos, destacando a importância de intensificar negociações para evitar prejuízos ao crescimento do Brasil, segundo Ricardo Alban, presidente da CNI.
Contexto político influencia relações comerciais, com críticas de Trump ao tratamento do Brasil ao ex-presidente Bolsonaro e ao STF, levantando questões sobre coerção econômica e necessidade de resposta diplomática, conforme mencionado pelo cientista político Carlos Augusto Poggio.
Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Os americanos compram cerca de 12% de tudo o que o Brasil exporta. Só no primeiro semestre deste ano, as vendas chegaram a 20 bilhões de dólares. Os chineses ainda lideram com folga e a Argentina aparece em terceiro lugar.
Para entender, basta imaginar se todos os produtos que vêm dos Estados Unidos para o Brasil ficassem 50% mais caros: carros, celulares e eletrônicos em geral. Com o aumento, a saída seria buscar uma opção mais barata.
A alternativa de produtos mais baratos é o que deve acontecer com os produtos brasileiros que vão para os EUA a partir de agosto. O tarifaço de Trump vai atingir, diretamente, a venda de café, soja, carne bovina, suco de laranja, petróleo e outros produtos. Cerca de 12% de tudo o que o Brasil vende vai para o mercado americano.
"Esse aumento da tarifa pode transformar os nossos produtos em não competitivos. Ele vende menos, e isso impacta no PIB", explicou o economista Roberto Dumas
Trump diz que Brasil tem superávit em relações comerciais
A carta publicada pelo presidente americano com o anúncio da tarifa diz que o Brasil tem um superávit nas relações comerciais entre os dois países. Em contrapartida, os dados oficiais mostram que essa não é a realidade. Desde 2009, o saldo é negativo para o Brasil, ou seja, nós compramos mais do que vendemos.
Um dia depois do anúncio do tarifaço, a questão é saber qual será o peso da reação brasileira. Os setores se dividem, neste momento, entre a preocupação e a precaução.
“Nesses últimos três meses, não existiu nenhum fato econômico que justificasse uma medida desse tamanho. Uma quebra nessa relação, com impacto nessa magnitude, teria muito prejuízo ao nosso crescimento. O mais importante nesse momento é intensificar as negociações”, diz Ricardo Alban, presidente da CNI.
O que os EUA estão dispostos a negociar?
Na carta, Donald Trump colocou como “vergonha internacional” a forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro e criticou o Supremo Tribunal Federal.
“O nome que a gente dá para coerção econômica para fins políticos é sanção. Então, o Brasil está sendo sancionado pelos Estados Unidos. Isso demanda uma resposta criativa. Retaliação talvez não seja a melhor resposta”, disse o cientista político Carlos Augusto Poggio.
A frente parlamentar da agropecuária disse que o momento é de cautela e diplomacia. A confederação da agricultura e pecuária afirmou que as questões podem ser resolvidas por meio de diálogo.
Apenas em 2025, a exportação de aviões e outras aeronaves aos Estados Unidos chegou a quase 450 milhões de dólares. A Embraer disse que avalia os impactos nos negócios. O aço, um dos produtos mais exportados do Brasil aos EUA, não deve sofrer aumento na taxação, já que o produto teve as tarifas reajustadas em 50% no último mês.
“Trump apresentou a pior carta para o Brasil. A nossa taxação é política. A questão é sentar e entender o que ele quer em troca e falar em abertura de mercado”, completou o economista Roberto Dumas.
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