Jornal da Band

Entenda o projeto que regulamenta o trabalho por aplicativos

Proposta estabelece pagamento mínimo e divide opiniões entre motoristas, plataformas e especialistas sobre custos e segurança jurídica

Da redação
DA REDAÇÃO

11/03/2026 • 19:38 • Atualizado em 11/03/2026 • 19:38

O governo federal trabalha para que o Congresso Nacional vote, ainda neste semestre, a regulamentação do trabalho de entregadores e motoristas por aplicativo. O tema central da proposta é a criação de garantias para uma categoria que hoje soma cerca de 1,7 milhão de profissionais no Brasil, mas que opera sem vínculos trabalhistas formais.

Compartilhar

Atualmente, motoristas e entregadores utilizam as plataformas para complementar a renda ou como ocupação principal. No entanto, a ausência de amparo legal deixa esses trabalhadores vulneráveis em casos de incidentes com veículos ou problemas de saúde.

O cenário de desassistência é a principal motivação para o novo ordenamento jurídico.

O debate sobre valores e custos

A polêmica no Congresso Nacional gira em torno do estabelecimento de um valor mínimo a ser pago por corrida ou entrega. O projeto de lei em tramitação sugere um piso de R$ 8,50. Já o governo defende uma tabela mais robusta, com valor mínimo de R$ 10,00 para trajetos de até 4 quilômetros, acrescido de R$ 2,50 por quilômetro adicional.

Entre os trabalhadores, as opiniões são divergentes:

  • Motoristas relatam casos onde percursos longos, como 11 km, rendem apenas R$ 9,00, o que torna a regulamentação atrativa.
  • Outros profissionais temem que o aumento dos custos seja repassado ao consumidor final, resultando na diminuição do volume de corridas e pedidos.

Análise e segurança jurídica

Para Haroldo Silva, presidente do Conselho Regional de Economia de São Paulo, a regulamentação é fundamental para frear a judicialização do setor. Segundo a análise de Haroldo Silva, as regras claras permitem que o governo divida o custo social por meio das contribuições de empresas e trabalhadores, garantindo sustentabilidade ao sistema.

Por outro lado, a Associação de Mobilidade e Tecnologia, que representa as plataformas, critica a celeridade do processo. A entidade argumenta que a elevação imediata de custos pode reduzir os investimentos em inovação tecnológica e elevar os preços para o usuário final

O projeto segue em discussão nas comissões da Câmara e do Senado, onde o desafio será equilibrar os direitos trabalhistas com a viabilidade econômica do modelo de negócios das plataformas.

Tópicos relacionados