
Discord vira terreno para criminosos
Reuters
Estudantes de escolas públicas de São Paulo estão usando a plataforma Discord para acessar respostas de lições de casa e provas, sem a necessidade de estudar o conteúdo. A prática foi identificada em grupos com milhares de integrantes, revelando uma nova forma de fraude escolar.
O Jornal da Band teve acesso a um desses grupos, que reúne mais de 200 mil usuários.
No espaço virtual, alunos compartilham e até vendem links de sites que permitem burlar o sistema da Secretaria Estadual de Educação. Para isso, é necessário que os próprios estudantes forneçam login e senha pessoais, o que possibilita que terceiros acessem as plataformas de ensino em nome deles.
Como funciona o esquema
O mecanismo permite que provas e tarefas sejam resolvidas de maneira automática, sem que o aluno tenha contato direto com as questões. A atividade expõe informações pessoais dos estudantes e abre brechas para práticas criminosas.
A Secretaria de Educação de São Paulo afirma que o sistema é seguro e que existem mecanismos para identificar acessos irregulares.
Entre os sinais de alerta estão um número elevado de acertos em pouco tempo, a finalização de tarefas em ritmo anormalmente rápido e conexões a partir de endereços de IP localizados fora do Brasil. Nessas situações, o acesso é bloqueado preventivamente.
Plataforma sob escrutínio internacional
Originalmente criada para jogos e conversas em tempo real, o Discord se tornou alvo de investigações policiais em diversos países. A plataforma é citada em apurações que envolvem desde crimes virtuais até a disseminação de conteúdos que atingem crianças e adolescentes, incluindo desafios de automutilação e indução ao suicídio.
No caso das escolas paulistas, o uso irregular da ferramenta expõe um desafio adicional: o combate à fraude acadêmica em ambiente digital. Para as autoridades, a combinação de vulnerabilidade dos alunos e a facilidade de acesso a redes criminosas torna a fiscalização mais complexa.
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