O governo dos Estados Unidos promoveu, nesta quarta-feira (18), um seminário em São Paulo com o objetivo de acelerar acordos e investimentos no setor de minerais estratégicos do Brasil. A iniciativa faz parte de uma movimentação geopolítica para estabelecer o país como um parceiro prioritário e fazer frente ao domínio da China, que atualmente lidera o mercado mundial após anos de investimentos pesados.
O interesse recai sobre matérias-primas fundamentais para a indústria de alta tecnologia, utilizadas na fabricação de chips de computador, turbinas de energia eólica e baterias para veículos elétricos e celulares. O Brasil ocupa uma posição de destaque global, detendo a segunda maior reserva de minerais críticos do planeta, atrás apenas dos chineses.
O desafio do refinamento e valor agregado
O grupo desses minerais inclui 17 elementos químicos de alto valor de mercado. Entre os destaques estão o túlio, utilizado em equipamentos de raio-X, e o escândio, componente essencial para a indústria aeroespacial. No entanto, o grande gargalo brasileiro é a ausência de usinas de beneficiamento. Atualmente, o país extrai a matéria-prima, mas não realiza o refinamento.
- A diferença econômica entre o produto bruto e o processado é drástica:
- Uma tonelada de minério crítico concentrado vale, em média, US$ 110 mil.
- Quando refinado, o valor do produto pode ser até 15 vezes superior.
Segundo Eduardo Duarte, presidente da Terra Brasil Minerals, o país precisa deixar de ser apenas um exportador de commodities para agregar valor ao minério e exportar tecnologia. "Você está vendendo commodity e está levando riqueza para outro país", ressaltou o executivo durante o evento.
Operações e investimentos em Minas e Goiás
Empresas brasileiras já se preparam para essa demanda há anos. Em Minas Gerais, uma mineradora realiza buscas por minerais estratégicos há 15 anos e já identificou uma reserva de 3 bilhões de toneladas de rocha vulcânica rica em fosfato e potássio, insumos vitais para a agricultura, com foco principal em Patos de Minas.
Atualmente, a única operação comercial de terras raras em atividade no Brasil está localizada em Minaçu, Goiás. A mineradora Serra Verde, responsável pela operação, recebeu um aporte de quase US$ 600 milhões de uma agência do governo americano para impulsionar a produção.
Para Pablo Cesário, diretor-presidente do Ibram, o desafio central é criar um arranjo que beneficie as empresas e as comunidades locais de forma sustentável. O foco das autoridades e do setor privado agora é transformar o potencial geológico em uma cadeia industrial completa dentro do território brasileiro.
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