Jornal da Band

EUA e Irã retomam negociações no Paquistão sob crise logística em Ormuz

Negociadores buscam fim de impasse que mantém 2 mil navios parados no Golfo Pérsico; retirada de minas navais pode levar seis meses

EDUARDO BARÃO

25/04/2026 • 00:22 • Atualizado em 25/04/2026 • 00:22

Representantes do Irã e dos Estados Unidos retomam, neste fim de semana, as negociações para a tentativa de um acordo de paz definitivo. O encontro ocorre em Islamabad, no Paquistão, país que atua como mediador do conflito. O chanceler iraniano, Abbas Aráchi, já desembarcou na capital paquistanesa, enquanto os negociadores da Casa Branca, Jared Kushner e Steve Witkoff, embarcam para a missão neste sábado.

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A urgência diplomática é acentuada por uma crise logística sem precedentes no Golfo Pérsico. Atualmente, mais de 2 mil navios cargueiros aguardam autorização para navegar, formando uma extensa fila enquanto as duas potências medem forças sobre o controle do Estreito de Ormuz. O regime islâmico mantém o bloqueio para embarcações ligadas a Israel e aos Estados Unidos, enquanto o governo americano aplica um cerco que impede o fluxo nos portos iranianos.

Ameaça de minas navais e impactos econômicos

Além do bloqueio político, o futuro da navegação na região enfrenta o perigo físico das minas navais lançadas pelo Irã em resposta a ataques anteriores. Embora a Marinha americana tenha realizado operações de busca no início do mês, o governo Trump estima que a retirada completa desses artefatos possa durar até seis meses. Isso significa que, mesmo diante de um cessar-fogo imediato, o comércio mundial sentirá os reflexos da instabilidade por um longo período.

Para especialistas em logística marítima, o cenário pós-guerra não significará um retorno imediato à normalidade. Alexis Ellender, da consultoria Kpler, aponta que os custos operacionais, especialmente os seguros marítimos para transitar pela região, devem permanecer elevados. A percepção de risco continuará a encarecer o frete e as viagens comerciais pelo estreito, que é um dos principais pontos de escoamento de petróleo do mundo.

A confirmação da ida dos negociadores ao Paquistão elevou a expectativa por um desfecho diplomático, embora a complexidade técnica da desminagem e a desconfiança mútua ainda sejam barreiras significativas para a estabilização total da rota marítima.

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