A prática de atividades físicas sob temperaturas extremas, frequentes em boa parte do Brasil, acende um alerta médico sobre os limites do corpo. Especialistas advertem que o calor intenso, somado ao esforço físico, exige que o organismo trabalhe no limite para manter a temperatura interna estável.
Sem a hidratação correta e o respeito aos sinais de fadiga, o risco de complicações graves aumenta consideravelmente, afetando inclusive pessoas sem histórico de doenças.
Para quem se exercita ao ar livre, o desafio é visível. Relatos de praticantes indicam que a sensação de "moleza" e a queda da pressão arterial são as primeiras respostas do corpo ao sol forte. A recomendação médica é clara: ao sentir qualquer desconforto, a atividade deve ser interrompida imediatamente para o resfriamento do corpo e a reposição de líquidos.
O impacto no sistema cardiovascular
A desidratação não afeta apenas o rendimento, mas compromete o funcionamento de órgãos vitais como cérebro, rins e coração. Segundo o médico do esporte e cardiologista Aezio Magalhães, o equilíbrio hídrico é essencial para que todos os sistemas operem sem sobrecarga. Quando os níveis de água caem, o sangue pode se tornar mais viscoso, dificultando a circulação.
Mesmo corações considerados saudáveis podem sofrer em situações extremas. Magalhães ressalta que a exposição prolongada a temperaturas elevadas, combinada à desidratação, pode desencadear arritmias ou problemas cardíacos súbitos em indivíduos que, até então, não apresentavam sintomas. O esforço adicional exigido pelo coração para bombear sangue e resfriar a pele é o principal fator de risco nesses cenários.
Como identificar os limites do corpo
Existem sinais claros de que o organismo está passando do limite de segurança. Tontura, cansaço extremo, cãibras e a sensação de coração acelerado (palpitações) são indicadores de que é hora de buscar uma sombra e descansar. Ignorar esses sintomas pode levar a quadros de exaustão térmica ou insolação, que exigem atendimento médico urgente.
Uma técnica simples e eficaz para monitorar o nível de hidratação é observar a cor da urina. O cardiologista Aezio Magalhães orienta que o ideal é que ela apresente uma tonalidade amarela clara. Se a urina estiver amarelo-escura, é um sinal direto de que o corpo está economizando água e sofrendo desidratação, exigindo ingestão imediata de líquidos.
Dicas para treinar com segurança:
- Horários: Evite o período entre 10h e 16h, quando a radiação e o calor são mais intensos.
- Acessórios: Use bonés, óculos de sol e roupas leves que permitam a evaporação do suor.
- Hidratação: Beba água antes, durante e após o exercício, sem esperar sentir sede.
- Escute o corpo: Se sentir mal-estar, não tente "forçar" o fim do treino; pare e resfrie o corpo.
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