Começou em São Paulo uma exposição imperdível que homenageia um dos artistas mais completos e icônicos da história do Brasil: Grande Othelo.
A mostra convida o público a mergulhar no universo de Sebastião Bernardes de Souza Prata, o menino de Uberlândia (MG) que conquistou o país com seu talento versátil e sua luta por representatividade.
Nascido em Minas Gerais, o artista iniciou sua carreira no circo e adotou primeiramente o nome artístico de "Pequeno Othelo". Mais tarde, rebatizou-se como Grande Othelo — fazendo questão de acrescentar a letra "H" ao nome, marca que se tornaria lendária.
A exposição traça uma linha do tempo dessa carreira prolífica, que inclui centenas de filmes, 42 discos gravados e inúmeras atuações em palcos de teatro e estúdios de TV.
Acervo raro e inédito
A curadoria da exposição reuniu 160 peças históricas que revelam as múltiplas facetas do artista. Entre os destaques estão:
- Manuscritos e Poemas: Rascunhos originais, incluindo o poema "Cadê você, Gonzagão?", escrito em homenagem a Luiz Gonzaga.
- Partituras: Documentos originais da década de 1940.
- Itens Pessoais: Agendas, cadernos de anotações e a certidão de nascimento.
- Títulos de Cidadania: Diplomas que conferem a Othelo os títulos de Cidadão Paulistano e Cidadão Carioca.
Um dos pontos altos da mostra é a ambientação que recria a Praça Onze, berço do samba carioca e ponto de encontro da classe artística, local que serviu de grande inspiração para as composições de Othelo.
O poeta e compositor
Embora mundialmente conhecido pela atuação, a exposição joga luz sobre o lado musical e poético de Othelo. Natália Souza, da coordenação da curadoria, destaca uma correção histórica importante trazida pela mostra: o clássico samba "Praça Onze" é uma coautoria de Grande Othelo com Herivelto Martins, e não apenas de Herivelto, como muitos acreditam.
Grande Othelo transitou com maestria entre o drama e a comédia, participando de movimentos cruciais como o Cinema Novo e o Cinema Marginal.
Ele atingiu o ápice com o filme "Macunaíma" (1969), de Joaquim Pedro de Andrade. Sua genialidade também foi reconhecida internacionalmente; o cineasta norte-americano Orson Welles, com quem trabalhou no inacabado "It's All True", o considerava o "maior ator da América Latina".
Além do talento, Othelo foi uma voz ativa contra o racismo. Galiana Brasil, gerente do núcleo de curadorias, ressalta que o ator usava sua visibilidade para denunciar diferenças salariais e preconceitos, abrindo portas para gerações futuras de artistas negros.
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