Jornal da Band

Moradores gravam uso de drones com granadas por criminosos no Rio; veja

Guerra entre o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro leva terror a moradores; forças de segurança tentam conter avanço tecnológico do crime organizado

Marcus Sadok
MARCUS SADOK

16/07/2026 • 19:46 • Atualizado em 16/07/2026 • 19:50

Integrantes do Comando Vermelho (CV) e do Terceiro Comando Puro (TCP) estão utilizando drones adaptados para monitorar a movimentação das forças de segurança e lançar granadas e explosivos contra grupos rivais. A nova tática militarizada atinge diretamente a rotina das comunidades e deixa a população civil sob constante ameaça.

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Vídeos gravados pelos próprios criminosos e por moradores revelam a gravidade da situação. Em um dos registros, traficantes operam um drone carregado e aguardam o momento exato para soltar um artefato explosivo. Embora o alvo principal fossem criminosos rivais, o ataque acabou atingindo um morador inocente, que ficou ferido e precisou ser socorrido às pressas para um hospital da região.

Inocentes na linha de tiro e escalada da violência

A escalada da violência se concentra principalmente em disputas territoriais nas zonas Norte e Oeste da capital fluminense. O cenário é de guerra aberta: nos últimos cinco dias, os tiroteios diários na cidade deixaram pelo menos 12 pessoas baleadas, das quais seis não resistiram aos ferimentos e morreram. Moradores relatam o pânico de observar o céu durante a noite e identificar os equipamentos sobrevoando as residências para mapear a área antes dos ataques.

Monitoramento da polícia e conexões internacionais

Além de funcionarem como armas de ataque letal, os drones viraram ferramentas estratégicas de contrainteligência para o tráfico de drogas. Os criminosos utilizam as câmeras dos aparelhos para vigiar a rotina de batalhões e acompanhar operações policiais em tempo real. Em uma das gravações apreendidas, um drone operado por bandidos registrou, do alto, o exato momento em que um suspeito era detido por policiais militares em solo.

A polícia fluminense investiga a informação de que traficantes de ambas as facções viajaram para a Ucrânia. O objetivo da ida ao leste europeu seria o alistamento temporário para receber treinamento militar especializado em táticas de guerra e, prioritariamente, aprender a manusear e customizar drones para o lançamento de cargas explosivas.

Corrida tecnológica e vácuo na legislação

Diante do avanço do crime organizado, as forças de segurança do Rio de Janeiro correm contra o tempo para atualizar suas estratégias. A Polícia Civil do Estado criou uma coordenadoria especializada em operações com drones, mas a atuação do setor ainda é restrita às ações de inteligência e à coleta de provas fotográficas e em vídeo.

A Polícia Militar, por meio de seu serviço de inteligência, informou que monitora a evolução tecnológica das facções e tenta viabilizar a aquisição de equipamentos semelhantes. Contudo, o uso de drones com capacidade de armamento letal por parte das polícias brasileiras esbarra na falta de regulamentação.

Embora o Exército Brasileiro tenha iniciado testes com drones armados no mês passado, ainda não há previsão de incorporação oficial na defesa nacional. Projetos de lei sobre o tema tramitam no Congresso Nacional, mas seguem sem data para votação.