A filha da soldado Gisele Alves recebeu nesta quarta-feira (8) o primeiro pagamento da pensão após a morte da mãe. O depósito, no valor de R$ 7.100, ocorre após o caso ganhar repercussão devido ao desamparo da menor, enquanto o marido da policial e principal acusado do crime, o tenente-coronel Geraldo Neto, obteve aposentadoria em tempo recorde pela Polícia Militar de São Paulo.
O montante depositado hoje é referente ao valor proporcional ao mês de fevereiro e ao vencimento integral do mês de março. A liberação do recurso financeiro acontece dias depois do Jornal da Band expor o contraste entre a agilidade administrativa para garantir a remuneração do oficial preso e a demora em amparar a órfã. Até então, a família da vítima enfrentava dificuldades burocráticas para acessar os direitos da criança.
Aposentadoria do acusado e medidas da SSP
Enquanto a pensão da filha era processada, Geraldo Neto, marido de Gisele e acusado de feminicídio, teve sua aposentadoria oficializada com vencimentos superiores a R$ 20 mil mensais. O caso gerou críticas sobre a celeridade do processo administrativo em favor do réu detido.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo garantiu que o benefício do oficial será bloqueado, embora a defesa do tenente-coronel já tenha sinalizado que pretende recorrer da decisão. Paralelamente, a PM instalou um conselho para decidir o futuro administrativo do oficial.
O conselho de oficiais é formado por três coronéis, incluindo uma mulher, e tem como objetivo determinar se o acusado perderá a patente e será expulso definitivamente da corporação. Esta decisão administrativa é independente do processo criminal que corre na Justiça comum.
Relembre o crime e as acusações
Gisele Alves foi morta com um tiro na cabeça no dia 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde morava com o marido. Geraldo Neto está preso e responde pelos crimes de feminicídio e fraude processual.
A investigação aponta que o oficial teria alterado a cena do crime logo após o disparo. A perícia e o Ministério Público sustentam que o tenente-coronel tentou forjar um suicídio da vítima para se livrar da acusação de assassinato, versão que foi contestada pelos laudos técnicos da Polícia Civil.
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