Jornal da Band

Força-tarefa destrói 22 bunkers do garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé

Ação do Governo Federal em Mato Grosso apreendeu uma tonelada de explosivos e prendeu mais de 50 pessoas em esconderijos sofisticados debaixo da terra

Da redação
DA REDAÇÃO

01/05/2026 • 20:16 • Atualizado em 01/05/2026 • 20:16

Uma operação conjunta do Governo Federal, que já se estende por mais de um mês na Terra Indígena Sararé, no Mato Grosso, revela a sofisticação das táticas empregadas pelo garimpo ilegal na região. Agentes da Polícia Federal, Ibama, Funai, Força Nacional e Ministério da Defesa localizaram e destruíram, até o momento, 22 bunkers construídos debaixo da terra. Essas estruturas subterrâneas, camufladas para enganar a fiscalização, serviam como depósito de mantimentos, peças de maquinário e materiais perigosos.

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Imagens exclusivas obtidas pela Band mostram o interior desses esconderijos, onde a força-tarefa encontrou cerca de mil quilos de explosivos.

A quantidade elevada de material inflamável e detonante ficava armazenada nesses bunkers, evidenciando o risco e o investimento logístico da atividade criminosa dentro do território indígena. Além do material bélico, as estruturas abrigavam geradores, motores, geladeiras e freezers, funcionando como centros de apoio logístico para a extração mineral.

Sofisticação e avanço do crime organizado

As construções subterrâneas chamam a atenção pela complexidade técnica. De acordo com Nilton Tubino, coordenador da operação, as estruturas são escoradas com madeiras e possuem dimensões que permitem que uma pessoa permaneça em pé em seu interior.

Tubino classifica a tática como uma novidade no cenário do garimpo ilegal, destacando que a camuflagem externa torna os locais praticamente imperceptíveis a olho nu, exigindo rastreamento minucioso por parte dos agentes.

O impacto ambiental na Terra Indígena Sararé é severo. Levantamentos realizados durante a operação indicam que cerca de 6% da área total da reserva já sofreu danos diretos causados pelo garimpo.

A pressão sobre o território aumentou consideravelmente nos últimos meses, impulsionada pela valorização do preço do ouro no mercado internacional. O cenário atrai a presença de grupos ligados ao crime organizado, que operam em áreas remotas do Mato Grosso sob forte estrutura de vigilância e ocultação.

A repressão ao garimpo na região resultou, apenas nos dois primeiros dias de incursão, na prisão de mais de 50 indivíduos. O monitoramento da área não é recente; o Jornal da Band acompanha a situação da Terra Indígena Sararé desde outubro do ano passado, quando apresentou flagrantes da atividade criminosa e da degradação da mata nativa.

A cadeia do ouro ilegal extraído nessas terras segue para grandes centros urbanos, onde o metal é fundido e comercializado sem qualquer controle de origem ou fiscalização tributária.

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