O governo da Argentina buscou minimizar a tensão diplomática provocada por declarações recentes do presidente Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O porta-voz da presidência argentina, Adrian Ravier, afirmou que os insultos representam "diferenças ideológicas e políticas", mas garantiu que o embate não foi levado ao plano diplomático.
Reação brasileira e convocação de embaixador
Apesar do aceno da Casa Rosada, o governo brasileiro avalia a possibilidade de não enviar imediatamente de volta a Buenos Aires o embaixador do Brasil na Argentina, Júlio Bitelli. O diplomata foi chamado a Brasília em sinal de protesto contra as declarações de Milei, proferidas durante a Convenção do Partido Liberal no último sábado (25), em São Paulo, onde a candidatura à Presidência do senador Flávio Bolsonaro foi oficializada.
Presentes no mesmo ambiente durante a posse da presidente do Peru, Keiko Fujimori, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o presidente argentino não se falaram. Nas redes sociais, Milei manteve as provocações ao compartilhar publicações que ironizavam a reação do governo brasileiro.
Repúdio do Judiciário e críticas do governo
As falas do líder argentino geraram forte reação no meio jurídico brasileiro. Diversas associações de magistrados publicaram notas de apoio ao STF e ao ministro Alexandre de Moraes, defendendo a independência do Poder Judiciário e a soberania das instituições do país.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, classificou a atitude de Milei como um "desserviço" e uma intromissão "grosseira" nos assuntos internos do Brasil, destacando que chefes de Estado não devem se envolver em disputas eleitorais de nações vizinhas.
Pragmatismo comercial preservado
Apesar da escalada verbal, assessores do Palácio do Planalto descartam retaliações drásticas que possam comprometer a relação econômica entre os dois países. A orientação em Brasília é manter as respostas restritas ao campo diplomático para evitar prejuízos financeiros.
A Argentina é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, em uma troca bilateral que movimentou mais de US$ 30 bilhões no último ano. Da mesma forma, o mercado brasileiro segue como o principal destino das exportações argentinas, reforçando que a relação de Estado entre os dois países se sobrepõe a divergências governamentais temporárias.
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