Jornal da Band

Hospital reabre setores após surto de superbactéria em Porto Alegre

Duas alas ficaram interditadas por seis dias após a infecção de nove bebês; a morte de duas crianças segue sob investigação pelas autoridades

Da redação
DA REDAÇÃO

04/07/2026 • 19:55 • Atualizado em 04/07/2026 • 19:55

O Hospital de Clínicas de Porto Alegre reabre de forma gradual a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal e o centro obstétrico após seis dias de interdição provocada por um surto da superbactéria Serratia spp. O bloqueio ocorre depois que nove bebês prematuros contraem o micro-organismo, resultando na morte de duas crianças. A causa dos óbitos segue sob investigação pelas autoridades de saúde, enquanto o estado de saúde dos outros sete recém-nascidos infectados é considerado estável.

Compartilhar

A repórter Gabriela Dias acompanha a situação na capital gaúcha e informa que a instituição considera o surto controlado neste momento. Durante o processo de retomada gradual das atividades, o atendimento do hospital é restrito a gestantes com partos de baixo risco e que já realizam o acompanhamento pré-natal na própria instituição. As investigações buscam apontar a origem exata da contaminação que força o fechamento temporário das duas alas hospitalares.

De acordo com os dados clínicos, a Serratia spp é uma bactéria resistente a diversos tipos de antibióticos. O patógeno tem a capacidade de provocar quadros graves de infecção — como pneumonia, meningite e sepse — e ataca principalmente pacientes com baixa imunidade, perfil característico de bebês internados em alas neonatais convencionais.

Investigação das causas e controle do surto

O infectologista Eduardo Sprinz esclarece que a Serratia spp pertence ao grupo das enterobactérias, habitando comumente o corpo humano de forma isolada. No entanto, ela se comporta como um micro-organismo oportunista quando encontra cenários propícios para a sua proliferação em ambientes de assistência médica.

O especialista aponta que a persistência dos registros indica a presença de uma fonte ativa que alimenta o surto dentro do hospital. Entre as hipóteses estruturais investigadas pelos técnicos de saúde estão a possibilidade de uso de materiais com esterilização inadequada ou falhas diretas no protocolo de higienização das mãos por parte dos profissionais de saúde que manejam os pacientes. Locais com altos índices de umidade também facilitam a sobrevivência do agente.

A direção do complexo hospitalar mantém o monitoramento epidemiológico constante dos pacientes remanescentes na unidade de terapia intensiva para evitar o surgimento de novas transmissões secundárias.

As autoridades sanitárias municipais acompanham o preenchimento de todos os requisitos técnicos exigidos para a normalização completa dos serviços médicos. O processo de triagem de pacientes segue por tempo indeterminado para garantir a segurança biológica de funcionários, gestantes e recém-nascidos.