Jornal da Band

Inteligência Artificial flagra infrações e amplia fiscalização em rodovias

Nova tecnologia identifica uso de celular e falta de cinto em tempo real, com salto de 1.400% no volume de autuações em trechos de teste

Da redação
DA REDAÇÃO

15/01/2026 • 21:00 • Atualizado em 15/01/2026 • 21:00

Motoristas que trafegam pelas rodovias do estado de São Paulo contam agora com uma vigilância mais rigorosa e tecnológica. O uso da Inteligência Artificial (IA) em câmeras de monitoramento passou a identificar, automaticamente, infrações cometidas dentro do veículo, como o uso de celular ao volante e a ausência do cinto de segurança, permitindo que a Polícia Militar Rodoviária atue com maior precisão.

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A implementação do sistema marca uma mudança no modelo de fiscalização nas estradas paulistas. Diferente dos radares convencionais, focados apenas na velocidade, as novas câmeras operam com softwares de IA que analisam o comportamento dos ocupantes do carro. O sistema funciona de forma ininterrupta, captando imagens nítidas durante o dia e à noite, mesmo em veículos que trafegam a altas velocidades.

A eficácia da ferramenta foi comprovada em testes realizados em Ribeirão Preto, no interior paulista. Antes da tecnologia, a média era de 100 infrações identificadas por dia através do olhar humano dos agentes. Com o auxílio do processamento automático de dados, esse número saltou para 1.500 registros diários, o que representa um aumento de 1.400% na capacidade de detecção.

Como funciona a autuação com IA

O processo de fiscalização é híbrido e não depende exclusivamente da máquina. Segundo explicações técnicas colhidas pela reportagem de Roberta Scherer no Jornal da Band, a câmera da concessionária grava o tráfego e a inteligência artificial faz a triagem. Quando o software "enxerga" uma irregularidade — como um condutor segurando o telefone com as duas mãos ou uma criança sendo transportada no colo no banco da frente —, ele isola o trecho.

Essas imagens são encaminhadas aos agentes da Polícia Militar Rodoviária. De acordo com o tenente Raphael Tavella, o sistema otimiza o trabalho da corporação. Antigamente, o policial precisava observar os monitores em tempo real na esperança de flagrar uma infração. Agora, a IA já reserva e entrega as imagens das possíveis irregularidades para que o agente faça a revisão final e decida pela aplicação da multa.

Segurança e impacto econômico

Para especialistas em medicina do tráfego, a ampliação da vigilância não deve ser encarada apenas como um aumento na arrecadação, mas como uma medida de preservação de vidas. Em primeiro lugar no ranking de infrações no país está o uso do celular ao volante, um dos principais fatores de distração e causas de colisões fatais.

Na visão de Aquila Couto, diretor da Associação Brasileira de Medicina do Trânsito (Abramet), o Brasil sofre prejuízos financeiros bilionários com acidentes que poderiam ser evitados. Para o diretor, motoristas mais conscientes e fiscalizados refletem em menos gastos públicos com saúde e previdência, além de aumentar a segurança nas ruas e estradas.

As multas para as infrações identificadas pela nova tecnologia variam conforme a gravidade. A falta de cinto de segurança é considerada infração grave, enquanto o manuseio de celular é gravíssima. As penalidades podem gerar de cinco a sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), com valores que variam entre R$ 195,23 e R$ 293,47.

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