Indústrias brasileiras buscam no Paraguai uma alternativa para manter a competitividade diante da carga tributária e dos custos operacionais no Brasil. O movimento é impulsionado pela Lei de Maquila, um regime que isenta impostos de importação para empresas que produzem no país vizinho com foco na exportação.
A estratégia, definida por empresários como uma "reengenharia de impostos", permite que produtos mantenham preços acessíveis no mercado brasileiro. Em fábricas de Ciudad del Este, produtos como edredons têm apenas a capa fabricada em solo paraguaio, representando 60% do custo total devido à matéria-prima importada sem taxas.
Segundo Carlos Tillmann, gerente de uma fábrica têxtil, a mudança para o país vizinho ocorreu pela necessidade de sobrevivência comercial. Para ele, o Paraguai tornou-se a opção viável para entregar produtos com custo reduzido e manter a disputa de mercado ativa em território brasileiro.
Diferenças nas leis trabalhistas e custos operacionais
Além das vantagens tributárias, a legislação trabalhista paraguaia é um dos pilares que sustentam a migração industrial. O modelo vigente no Paraguai não sofre alterações significativas desde 1993 e apresenta condições distintas das brasileiras, como a ausência de FGTS, vale-transporte e vale-alimentação.
No país vizinho, a jornada de trabalho é de 48 horas semanais, quatro a mais que no Brasil. As férias são limitadas a 12 dias nos primeiros cinco anos de contrato, sem o acréscimo de um terço constitucional. Em caso de rescisão, o trabalhador recebe apenas meia bonificação salarial por ano trabalhado.
Apesar dos benefícios para o empregador, o salário mínimo paraguaio, convertido, é superior ao brasileiro, girando em torno de R$ 2.200. No entanto, Christian Pereira, gerente comercial, ressalta que o custo total que acompanha o pagamento de salários é substancialmente menor no Paraguai.
Desafios logísticos e falta de infraestrutura pública
A migração de empresas brasileiras não ocorre sem obstáculos. A logística e a necessidade de gestores qualificados são pontos de atenção para o sucesso dos negócios. O advogado e consultor Aldo Benitez alerta que várias empresas falharam ao não considerar a distância e a eficiência produtiva.
A estrutura de apoio na fronteira tem se adaptado para receber as novas indústrias. A Algesa, que opera como porto seco próximo à Ponte da Amizade, transformou galpões de armazenamento em espaços fabris. Atualmente, sete empresas brasileiras já ocupam o parque industrial da companhia.
O prefeito de Ciudad del Este, Daniel Mujica, reconhece que a falta de mão de obra qualificada ainda é um entrave. Para ele, o governo trabalha para melhorar a infraestrutura, mas admite que a baixa arrecadação do Estado, causada pelas isenções, limita a criação de políticas públicas e sistemas de saúde e proteção social.
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