Apesar da trégua anunciada por Donald Trump nos ataques ao Irã, as Forças de Defesa de Israel intensificam a ofensiva militar no Líbano. O avanço das tropas por terra é acompanhado pela destruição sistemática da infraestrutura civil, com foco logístico no sul do país. Um dos pontos atingidos foi a Ponte de Qasmiyeh, considerada uma via crucial de conexão entre a rodovia costeira e o restante do território libanês.
A estratégia do exército israelense consiste em destruir todas as pontes sobre o Rio Litani. O objetivo oficial é impedir o deslocamento de combatentes e o transporte de armamentos do Hezbollah, milícia xiita que conta com o apoio do Irã. Enquanto os ataques avançam no Líbano, o Hezbollah responde com disparos de foguetes contra o norte de Israel, forçando moradores a buscarem abrigos durante alertas aéreos.
Impacto humanitário e projeto de expansão
Em apenas três semanas de conflito, os números revelam a gravidade da crise humanitária: 1.039 mortos e quase 3 mil feridos no Líbano. Além das vítimas diretas, a guerra forçou a retirada de um milhão de pessoas de suas casas. Muitos desabrigados, como Ali Al-Azari, de 60 anos, encontram-se vivendo em barracas no centro de Beirute, alimentando a esperança de retornar às suas aldeias de origem.
O exército de Israel afirma que a operação terrestre será longa e contínua. A meta declarada é eliminar ameaças na fronteira para garantir a segurança no norte de Israel, mas o avanço das tropas levanta preocupações internacionais sobre o projeto "Grande Israel". Defendida por setores ultranacionalistas, essa proposta prevê a expansão das fronteiras israelenses para além das áreas palestinas da Cisjordânia e Faixa de Gaza, incluindo as Colinas de Golã na Síria e partes do Egito, Arábia Saudita, Iraque e o sul do Líbano.
Discurso de anexação no governo Netanyahu
As intenções territoriais ganharam contornos mais explícitos com as recentes declarações de membros do gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O ministro das Finanças defendeu abertamente a anexação do sul do Líbano até a linha do Rio Litani.
Somando-se a esse posicionamento, o ministro da Defesa, Israel Katz, já havia sinalizado no início do mês que o Líbano poderia sofrer "perda de território" caso não providenciasse o desarmamento do Hezbollah. Tais afirmações consolidam a percepção de que a operação militar busca não apenas neutralizar a milícia, mas potencialmente redefinir as fronteiras geográficas da região.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

