Jornal da Band

Israel volta a atacar o sul do Líbano após prorrogação de cessar-fogo

Ação militar israelense resulta em mortes e ocorre em meio a denúncias de ataques contra profissionais de saúde em Nabatieh

STEFANI COSTA

24/04/2026 • 20:08 • Atualizado em 24/04/2026 • 20:08

Israel retomou os ataques militares no sul do Líbano nesta sexta-feira (24), poucas horas após o anúncio da prorrogação do cessar-fogo por mais três semanas. A ofensiva, que ocorre em uma região marcada por constantes violações da trégua, resultou em novas mortes e destruição em centros urbanos, agravando a crise humanitária no país vizinho.

Compartilhar

As Forças de Defesa de Israel divulgaram imagens de soldados em combate direto com homens armados, seguidas pelo bombardeio de um edifício. O governo israelense afirma que a operação foi uma resposta a ataques realizados pelo Hezbollah, grupo xiita apoiado pelo Irã, e confirmou a morte de seis combatentes durante a incursão. Por outro lado, o Ministério da Saúde do Líbano ratificou a morte de ao menos duas pessoas em decorrência das explosões.

Impacto sobre profissionais de saúde e civis

A cidade de Nabatieh, situada no sul do Líbano, concentra um dos cenários mais críticos de destruição. A localidade tem sido alvo de bombardeios contínuos, mesmo durante o período de trégua. A infraestrutura urbana foi severamente comprometida, atingindo estabelecimentos comerciais históricos e unidades de resgate.

Um dos pontos de maior tensão envolve o ataque a equipes de emergência. Dados locais indicam que mais de 100 profissionais de saúde, entre médicos e paramédicos, morreram desde o início das hostilidades. Mohamed Suleiman, chefe do departamento de emergência de Nabatieh, relata que esta é a primeira vez que a equipe perde membros em serviço, reforçando que o trabalho do grupo é restrito ao socorro e resgate de vítimas.

Além das perdas humanas, a economia local tenta resistir em meio aos escombros. Comerciantes relatam prejuízos em lojas que operavam há décadas na região. Muitos moradores aproveitam os breves intervalos nos bombardeios para limpar destroços e tentar retomar atividades básicas, apesar da precariedade das condições de segurança.

O impasse diplomático e o balanço de vítimas

O conflito no Líbano, intensificado desde março, já deixou um saldo de 2.500 mortos. O cenário diplomático permanece travado por exigências opostas entre as partes envolvidas. Israel condiciona a interrupção definitiva das operações ao desarmamento total do Hezbollah. Em contrapartida, o governo libanês exige a retirada imediata das tropas israelenses que ocupam porções do território no sul do país.

A extensão do cessar-fogo, que deveria garantir estabilidade por mais 21 dias, demonstra fragilidade diante da manutenção das operações de campo. Enquanto as negociações internacionais buscam uma saída política, o exército israelense mantém o monitoramento da fronteira e a realização de ataques pontuais contra o que classifica como posições estratégicas de grupos armados.

Tópicos relacionados