O número impressiona à primeira vista: a prévia da inflação oficial, que mede os preços até a metade de julho, praticamente zerou, em 0,06%. Ficou bem abaixo do mês anterior e frustrou – no bom sentido – as expectativas do mercado. Mas um dado tão baixo pede leitura cuidadosa, porque nem tudo o que segura o índice hoje tende a permanecer amanhã.
O motor dessa desaceleração é a deflação dos alimentos, com mais quedas do que altas de preços. Tomate e batata puxaram o alívio; cebola e pão francês foram na contramão. É o efeito de um bom momento da safra, somado à queda da gasolina – dois fatores tipicamente sazonais, e portanto reversíveis.
Do outro lado do balcão, a pressão não deu trégua: a conta de luz subiu, com um reajuste de 9% da concessionária em São Paulo, e as passagens aéreas encareceram, como sempre acontece nas férias escolares.
No acumulado de doze meses, a inflação recuou para perto do limite da meta do governo, e as projeções começam a ser revistas para baixo. Aí mora a pergunta que realmente importa: esse alívio veio para ficar?
A resposta pede cautela. A trégua nos preços dos alimentos tende a se concentrar apenas no terceiro trimestre — ou seja, tem prazo para acabar. Os riscos pela frente não são pequenos: os alimentos podem voltar a subir com o impacto do El Niño a partir de setembro, e o petróleo segue como uma variável imprevisível.
É esse cenário que o Banco Central lê ao definir os juros. Já se fala que é praticamente certo mais um corte na semana que vem. A dúvida que fica não é se o corte virá, mas se ele será o último do ano – e essa resposta depende, justamente, de saber se a trégua de julho foi um respiro ou apenas uma pausa antes da próxima alta.
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