A economia brasileira enfrenta um momento de reversão nas expectativas inflacionárias, especialmente no setor de alimentos e combustíveis. Segundo a analista Juliana Rosa, o cenário de alívio observado nos últimos meses está prestes a mudar devido aos impactos de conflitos internacionais e custos de produção.
"Expectativas apontam que até o fim de março os preços vão acelerar mais. Essa tendência de alívio que temos visto da inflação, que acumula 3,9% nos últimos doze meses, deve se inverter. Já tem projeções apontando para 5% este ano", destacou a analista.
Nesta quinta-feira (26), o IBGE divulgou que o IPCA-15, indicador considerado uma prévia da inflação oficial do país, ficou em 0,44% em março. O resultado foi influenciado, principalmente, pelos grupos de alimentação e bebidas, com alta de 0,88% e impacto de 0,19 ponto percentual (p.p.) no índice geral, e despesas pessoais, que subiu 0,82%, com influência de 0,09 p.p..
O peso do diesel e dos fertilizantes
De acordo com a analista, os índices atuais ainda não refletem a totalidade da crise global. O destaque negativo fica para o óleo diesel, que pressiona toda a cadeia produtiva, embora a gasolina ainda apresente estabilidade momentânea.
"Os números de hoje pegaram só o início dos impactos do conflito, o diesel é o destaque. Mas gasolina ainda aparece em queda. E os preços dos alimentos subiram por outros fatores que não o conflito. Devem subir mais agora com frete mais caro dos caminhões e a disparada dos fertilizantes, sendo que 85% são importados", explicou.
O impasse dos subsídios e o risco de desabastecimento
O governo federal tenta articular com os estados uma forma de conter a alta dos combustíveis e evitar a falta de produtos, mas o acordo ainda parece distante. A defasagem de preços da Petrobras em relação ao mercado internacional tem travado as importações.
"Hoje os secretários estaduais de Fazenda se reuniram para discutir a proposta do governo de subsidiar o diesel importado com a ajuda dos estados e ainda não chegaram num acordo. As importações despencaram com a Petrobras vendendo muito mais barato do que os preços internacionais - o diesel está R$ 2,26 mais barato e a gasolina R$ 1,17", pontuou Juliana Rosa.
A analista alerta que, mesmo com a aprovação de um subsídio de R$ 1,20, o valor pode não ser suficiente para atrair importadores. "Pode ser que os importadores não achem vantajoso. E aí o governo teria que bancar o subsídio sozinho ou o diesel teria que subir mais", concluiu.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber


