Jornal da Band

Juliana Rosa: nem extensão do cessar-fogo segurou alta do petróleo

Barril do tipo Brent fechou em US$ 101 após instabilidade no Oriente Médio, elevando o temor de juros altos por mais tempo no país

Da redação
DA REDAÇÃO

22/04/2026 • 20:43 • Atualizado em 22/04/2026 • 20:43

Juliana Rosa
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O preço do petróleo no mercado internacional voltou a operar em patamares elevados nesta semana, superando a marca de US$ 100 por barril. A valorização da commodity, impulsionada pela instabilidade no Oriente Médio, acende um alerta sobre o comportamento dos preços no Brasil e o impacto direto no custo de vida da população.

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Impacto nas ações e nos combustíveis

O barril do tipo Brent, que serve de referência global, fechou cotado a US$ 101. A alta ocorre mesmo após tentativas de acordos de cessar-fogo e instabilidades em rotas logísticas importantes, como o Estreito de Ormuz.

A valorização do insumo reflete diretamente no mercado financeiro brasileiro. As ações da Petrobras registraram alta na Bolsa de Valores, já que a companhia amplia sua lucratividade com as exportações de óleo bruto. No entanto, o cenário para o consumidor interno apresenta nuances diferentes.

A Petrobras tem evitado repassar a totalidade da valorização internacional para os preços dos combustíveis nas refinarias. Essa estratégia atua como um amortecedor temporário, impedindo que a inflação sofra um impacto ainda mais severo e imediato nos postos de abastecimento.

Projeções de inflação e o fator El Niño

Apesar da contenção nos combustíveis e da recente queda do dólar, que permanece abaixo de R$ 5,00, as expectativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estão em trajetória de subida. Antes do agravamento dos conflitos externos, as previsões do mercado apontavam para uma inflação abaixo de 4% em 2026.

Atualmente, os índices projetados já se aproximam de 5%. A situação pode ser agravada no segundo semestre devido a fatores climáticos. A chegada do fenômeno El Niño, que deve ser mais rigoroso neste ano, tende a encarecer a produção de alimentos, pressionando ainda mais o orçamento das famílias brasileiras.

O risco central identificado pela análise reside na "inércia inflacionária". Como muitos contratos no Brasil, como aluguéis e o próprio salário mínimo, são corrigidos pela inflação passada, uma alta temporária pode se tornar duradoura, estendendo o problema fiscal e econômico até 2028.

A persistência de preços elevados altera o planejamento do Banco Central em relação à taxa Selic. Com a inflação resistindo em patamares superiores ao centro da meta, a tendência é que os juros caiam menos do que o anteriormente previsto pelo setor produtivo.

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