
BNDES
Arquivo/Agência Brasil
Os setores atingidos pelo tarifaço americano chegaram às reuniões com o governo, nos últimos dias, com um conjunto de pedidos voltados a reduzir os impactos imediatos da sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos.
São medidas de curto prazo, de caráter emergencial, e revelam um problema mais amplo: quando a discussão se concentra na sobrevivência das empresas, os entraves estruturais da indústria brasileira ficam em segundo plano.
O pedido para reduzir os juros no programa de crédito subsidiado ajuda a entender o desenho atual. O BNDES oferece uma taxa média de 8% ao ano, mas os bancos repassam o recurso com um adicional de até 5% — o chamado spread, a margem cobrada pelo intermediário.
Parte do subsídio, portanto, se dilui no percurso entre o banco público e o produtor — daí a demanda para rever esse percentual.
A lista de pedidos é ampla. Inclui a ampliação do Reintegra, que devolve às exportadoras parte dos tributos pagos na produção; o aumento do prazo do drawback, mecanismo que isenta de imposto a importação de uma peça desde que ela seja usada em um produto exportado em até um ano; a simplificação da adesão ao Plano Brasil Soberano; e apoio para a abertura de novos mercados. O setor de calçados pediu ainda medidas para dificultar a entrada de produtos asiáticos.
São demandas legítimas diante de uma situação de emergência, em que a prioridade é preservar empregos. Mas o socorro imediato não se confunde com política industrial, e é aí que reside a limitação da resposta em curso.
Os gargalos de competitividade do Brasil antecedem o tarifaço. Para disputar mercados no exterior e dentro do próprio país, é preciso avançar em pontos que não cabem em um pacote de crédito: a redução da carga tributária, a melhoria da infraestrutura e o enfrentamento do custo-Brasil.
Essa é a agenda que altera de fato as condições de competição — e é também a que sucessivos governos vêm adiando. O tarifaço apenas tornou mais visível uma fragilidade que já estava posta.
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