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Juliana Rosa: Setores pedem socorro, mas Brasil adia agenda de competir

Setores levaram ao Planalto um pacote de medidas emergenciais, mas o País segue adiando as reformas que o tornariam competitivo

Por Redação
REDAÇÃO

22/07/2026 • 09:26 • Atualizado em 22/07/2026 • 09:26

Juliana Rosa
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BNDES

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Arquivo/Agência Brasil

Os setores atingidos pelo tarifaço americano chegaram às reuniões com o governo, nos últimos dias, com um conjunto de pedidos voltados a reduzir os impactos imediatos da sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos.

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São medidas de curto prazo, de caráter emergencial, e revelam um problema mais amplo: quando a discussão se concentra na sobrevivência das empresas, os entraves estruturais da indústria brasileira ficam em segundo plano.

O pedido para reduzir os juros no programa de crédito subsidiado ajuda a entender o desenho atual. O BNDES oferece uma taxa média de 8% ao ano, mas os bancos repassam o recurso com um adicional de até 5% — o chamado spread, a margem cobrada pelo intermediário.

Parte do subsídio, portanto, se dilui no percurso entre o banco público e o produtor — daí a demanda para rever esse percentual.

A lista de pedidos é ampla. Inclui a ampliação do Reintegra, que devolve às exportadoras parte dos tributos pagos na produção; o aumento do prazo do drawback, mecanismo que isenta de imposto a importação de uma peça desde que ela seja usada em um produto exportado em até um ano; a simplificação da adesão ao Plano Brasil Soberano; e apoio para a abertura de novos mercados. O setor de calçados pediu ainda medidas para dificultar a entrada de produtos asiáticos.

São demandas legítimas diante de uma situação de emergência, em que a prioridade é preservar empregos. Mas o socorro imediato não se confunde com política industrial, e é aí que reside a limitação da resposta em curso.

Os gargalos de competitividade do Brasil antecedem o tarifaço. Para disputar mercados no exterior e dentro do próprio país, é preciso avançar em pontos que não cabem em um pacote de crédito: a redução da carga tributária, a melhoria da infraestrutura e o enfrentamento do custo-Brasil.

Essa é a agenda que altera de fato as condições de competição — e é também a que sucessivos governos vêm adiando. O tarifaço apenas tornou mais visível uma fragilidade que já estava posta.

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