Os subsídios do governo podem evitar novos aumentos de combustíveis? Depende do comportamento do petróleo. Nesta quinta-feira (9), as cotações tiveram alívio, apesar de os ataques continuarem entre Estados Unidos e Irã e de o fluxo de embarcações no Estreito de Ormuz seguir comprometido.
O presidente americano afirmou que o Irã estaria em busca de um acordo, o barril do tipo Brent fechou a US$ 76 e o dólar recuou. Mas é uma situação incerta e, enquanto o mercado internacional oscila, nos postos os preços sempre sobem rápido e descem devagar.
A prova disso é o que já se viu nos últimos meses: a gasolina subiu nas bombas mesmo com a Petrobras, que é a grande fornecedora do mercado, mantendo o preço. A conta que não fecha lá fora acaba chegando aqui, com atraso.
Os subsídios do governo amenizam esse repasse. Na prática, produtores e importadores recebem dinheiro para não repassar toda a alta ao consumidor. O problema é que esse auxílio não cobre a defasagem em relação ao mercado internacional.
Hoje, o diesel vendido pela Petrobras está R$ 1,64 mais barato do que o preço de fora, e a gasolina, R$ 0,87. Desse total, o governo banca R$ 1,12 no diesel e R$ 0,44 por litro de gasolina. O restante é a estatal que segura.
E aí está o ponto: a Petrobras tem segurado os repasses, mas essa estratégia tem limite. Se a defasagem durar muito tempo, não há como continuar represando os preços. Mais cedo ou mais tarde, ou o petróleo cede lá fora, ou parte dessa conta chega às bombas.
O que o consumidor precisa entender é que o alívio de um dia no mercado internacional não se traduz automaticamente em preço menor no posto. A trégua desta quinta-feira é bem-vinda, mas frágil.
Enquanto o conflito no Oriente Médio não tiver um desfecho claro e o Estreito de Ormuz seguir sob tensão, o risco de novas altas continua sobre a mesa – e o subsídio, sozinho, não dá conta de neutralizá-lo.
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