O impacto do tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos contra o Brasil para alguns setores é relevante, mas para o Produto Interno Bruto (PIB), no geral, é bem limitado.
Primeiro porque as exportações totais do Brasil para o mundo têm peso em torno de 17% do nosso PIB — ou seja, a maior parte do que a gente produz é para consumo interno. Segundo porque, para os Estados Unidos, as exportações representam 2% do PIB. Por isso, não se espera uma piora nas projeções de crescimento.
O problema está concentrado nos setores que ficaram de fora da lista de exceções, onde o impacto é significativo. Foi positiva a ampliação da lista de produtos isentos da tarifa de 25%, que corresponde a mais da metade das exportações.
Além dos produtos agrícolas, que têm conseguido ficar entre as exceções porque afetam mais diretamente a inflação americana, entraram também alguns itens da indústria.
Mesmo assim, o setor industrial foi o mais atingido pela sobretaxa de 25%. E já havia, anteriormente, um grupo de produtos com sobretaxa de até 50%, como aço e alumínio.
O setor empresarial fala muito que o governo brasileiro precisa fazer uma oferta comercial mais atraente, reduzir a tarifa de importação do etanol, por exemplo, mas não é uma negociação fácil.
Os Estados Unidos querem sempre ganhar, ter vantagem: é uma negociação assimétrica, que pode não interessar ao Brasil. Por outro lado, peitar os americanos também pode piorar a situação – e é por isso que muitos pedem para que a Lei da Reciprocidade não seja adotada.


