Band Política

EUA confirmam implantação de novo tarifaço aos produtos brasileiros

Café e carne bovina devem ficar de fora da lista de produtos tarifados; etanol será afetado

Da redação
DA REDAÇÃO

16/07/2026 • 01:44 • Atualizado em 16/07/2026 • 01:44

O governo dos Estados Unidos confirmou, na noite desta quarta-feira (15), a aplicação de um novo "tarifaço" sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada pelo Representante do Comércio norte-americano, Jamieson Gree, impõe uma tarifa adicional de 25%, que se soma à alíquota geral de 10% já aplicada às exportações brasileiras para o mercado americano.

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A lista completa de produtos que sofrerão impacto ainda não foi divulgada, mas o governo dos EUA já afirmou que café e carne bovina ficarão de fora da taxação. O etanol, por outro lado, já está confirmado na lista de produtos a sofrerem a nova tarifação.

Antes mesmo do anúncio feito na noite desta quarta-feira, o Palácio do Planalto já considerava a adoção das tarifas como certa e estudava medidas de reciprocidade para responder à ofensiva comercial.

Washington justifica a nova imposição tarifária acusando o Brasil de práticas nocivas às empresas norte-americanas em áreas como comércio digital, serviços de pagamento, propriedade intelectual e desmatamento ilegal.

No entanto, o governo brasileiro classifica as tarifas como injustas e rebate os argumentos técnicos utilizados, especialmente as acusações sobre o aumento do desmatamento na Amazônia, cujos números oficiais indicam o contrário.

Durante as rodadas de negociação, que o Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR) deu por encerradas nesta semana, as autoridades brasileiras tentaram propor a redução de tarifas sobre o etanol em troca de maior acesso ao açúcar no mercado americano, mas a proposta foi descartada pelos EUA.

Uma nova taxação ainda pode ser aplicada aos produtos brasileiros. O governo dos EUA pode aplicar mais 12,5% de taxas, dessa vez por uma acusação de que o Brasil estaria falhando em proibir ou fiscalizar casos de trabalho forçado. A decisão sobre essa nova taxa está prevista para até o dia 24 de julho.

Cenário global e novos mercados

Este novo entrave ocorre em um período de fragilidade nas trocas comerciais entre os dois países: no último ano, as exportações brasileiras para os Estados Unidos atingiram o menor nível em três décadas, representando apenas 9,3% do total exportado pelo Brasil.

Diante do crescente protecionismo global, o Brasil e o Mercosul buscam alternativas para diversificar seus parceiros comerciais. Entre as estratégias em curso estão a implementação do acordo com a União Europeia e a negociação de tratados com o Japão, Índia e Canadá, este último com previsão de formalização até o final do ano, visando um mercado de mais de 270 milhões de consumidores.