A manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em patamares elevados tem um efeito nocivo que se estende além do cotidiano de famílias e empresas, impactando diretamente nas contas do Governo Federal. O alto custo do dinheiro emprestado eleva a dívida pública, o que, por sua vez, contribui para frear o crescimento do país.
A economista Helena Veronese explica que os juros altos resultam em uma economia mais fraca, com dificuldade de acesso ao crédito e menor consumo. Além disso, o economista José Roberto Mendonça de Barros afirma que taxas de juros muito altas reduzem as chances de investimento e significam crescer menos. O patamar atual deixa os financiamentos mais caros e eleva a inadimplência.
Juros são o custo do dinheiro emprestado, e a Selic é a taxa básica definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), órgão do Banco Central (BC). O Copom pode aumentar a Selic sempre que a inflação sobe, como uma forma de controlar os preços. Em fevereiro de 2020, a taxa estava em 4,25% ao ano. Durante a pandemia, para estimular a economia, o BC realizou cortes, e a Selic chegou a 2% em agosto de 2020. Hoje, a taxa atinge o patamar de 15% ao ano.
Com a inflação projetada para os próximos 12 meses já descontada, a taxa de juros reais do Brasil é a segunda maior do mundo, ficando atrás apenas da Turquia.
O impacto dos juros na dívida do governo
Assim como a população, o governo também é prejudicado pelo custo do dinheiro. José Roberto Mendonça de Barros destaca que a dívida pública é uma consequência direta do excesso de gasto do governo. Quando os gastos são sistematicamente maiores que a arrecadação de impostos, a única forma de fechar as contas é tomar dinheiro emprestado no mercado.
Os dados do Banco Central indicam que a cada 1% de aumento na Selic, o gasto com a dívida pública cresce R$ 55 bilhões.
Helena Veronese pontua que o Brasil tem um governo com gastos obrigatórios elevadíssimos, que ultrapassam 95% do total, o que o torna um governo endividado e que precisa se financiar. Além disso, a estratégia de subir os juros para esfriar a economia atinge o governo em duas frentes:
- Via juros da dívida: O custo para refinanciar o endividamento aumenta.
- Via queda na arrecadação: Com o esfriamento da economia, as famílias consomem menos, o que gera menos arrecadação de impostos.
Quanto mais o governo pede emprestado para pagar suas dívidas, menores são as chances de a taxa de juros cair, podendo até ficar mais alta. Essa situação prejudica todas as atividades, pois com o governo endividado, sem poder gastar, fica difícil investir no que a sociedade precisa.
Mendonça de Barros ressalta que, embora juros altos atraiam investimentos financeiros de curto prazo, o crescimento sustentado da economia depende de projetos de investimento em diversas áreas e da qualificação da população.
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