Jornal da Band

Líbano busca prorrogar cessar-fogo com Israel em nova rodada de negociações

Governo libanês tenta estender trégua por um mês enquanto acusações de violações e mortes de civis e militares da ONU causam tensão no cenário diplomático

Sonia Blota
SONIA BLOTA

22/04/2026 • 21:55 • Atualizado em 22/04/2026 • 21:55

O governo do Líbano manifestou oficialmente o desejo de prorrogar por mais 30 dias o cessar-fogo vigente com o grupo Hezbollah e o Estado de Israel. A proposta será o tema central de uma nova rodada de negociações agendada para esta quinta-feira (23), em Washington, nos Estados Unidos. O atual acordo de trégua, considerado frágil pelas autoridades internacionais, tem previsão de encerramento em apenas quatro dias.

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A tentativa de extensão ocorre em um momento de alta tensão, marcado por denúncias de violações do acordo. Nesta quarta-feira, a agência de notícias estatal libanesa informou que um ataque de drone realizado por Israel no Vale de Bekaa, ao sul do país, resultou em uma morte e deixou duas pessoas feridas. Em contrapartida, o exército israelense afirmou não ter conhecimento da operação.

Vítimas e o papel das forças de paz

O balanço da ofensiva militar israelense no Líbano, iniciada em março, é alarmante: 2.500 mortos, entre os quais constam quase 200 crianças. O conflito também atingiu as forças internacionais de paz da ONU. Nesta quarta-feira, foi confirmada a morte do segundo soldado francês integrante da missão. O governo da França atribui o óbito a uma emboscada realizada pelo Hezbollah na última semana, acusação que o grupo nega prontamente.

A reunião na capital americana busca dar continuidade ao encontro histórico realizado recentemente na Casa Branca. Além da extensão do prazo da trégua até o fim do próximo mês, o Líbano pretende estabelecer um cronograma para a retirada das tropas israelenses de seu território e definir bases para a reconstrução das zonas devastadas pelos bombardeios.

Temor de crise humanitária e reflexos na região

A população libanesa expressa receio de que o sul do país sofra uma destruição sistêmica semelhante à observada na Faixa de Gaza. No enclave palestino, dois anos de conflito resultaram na morte de mais de 72 mil pessoas e deixaram o território em ruínas. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que o custo para reconstruir Gaza chegue a R$ 360 bilhões, em um processo que levaria pelo menos uma década.

Enquanto as negociações ocorrem nos Estados Unidos, a violência também se intensifica em outros territórios. Na Cisjordânia, a morte de um estudante de 14 anos e de um homem de 32 anos foi registrada após colonos israelenses abrirem fogo nas proximidades de uma unidade escolar, agravando o clima de insegurança que permeia a região.