A corrida presidencial de 2026 registrou um acirramento nesta quinta-feira (21), com trocas diretas de farpas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O clima de tensão ocorre em um momento em que a pré-campanha do senador bolsonarista enfrenta uma reestruturação estratégica diante do desgaste causado pelo áudio envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.
Em agenda oficial em Vitória (ES), ao lado da ministra da Cultura, Margarete Menezes, o presidente Lula utilizou o episódio do financiamento do filme “Dark Horse” para criticar a família Bolsonaro. O presidente ironizou a imagem pública que o senador tentava construir, contrastando-a com as revelações de vultosos aportes do Banco Master.
"Quem imaginava que aquele menino, que parecia ser a pessoa mais santa da família Bolsonaro, tivesse pegando US$ 159 milhões (mais de R$ 780 milhões) para fazer um filme do pai? Ninguém imaginava", afirmou Lula. O presidente aproveitou a deixa para diferenciar sua gestão das práticas investigadas, pontuando que seu governo não utiliza o sistema de financiamento questionado no caso Vorcaro para alavancar produções culturais.
A estratégia de Flávio Bolsonaro
Sob pressão e com mudanças em sua equipe de comunicação --o publicitário Eduardo Fischer assumiu o comando da pasta após a saída de Marcelo Lopes--, Flávio Bolsonaro tentou reagir no Congresso. O senador subiu à tribuna para defender a instalação de uma CPI do Banco Master, desafiando o envolvimento de figuras de diversos espectros políticos com o banqueiro.
"Eu quero Daniel Vorcaro e Augusto Lima sentados naquela CPMI falando qual é a relação que eles tinham com Flávio Bolsonaro e também qual a relação que eles tinham com o Lula, qual a relação que eles tinham com Alexandre de Moraes", declarou o senador. O presidente do Senado, contudo, já sinalizou que a proposta dificilmente prosperará.
Além da frente parlamentar, o senador planeja uma viagem aos Estados Unidos na próxima semana para buscar uma agenda com Donald Trump. Em um momento inusitado durante a coletiva de imprensa nesta quinta-feira (21), ao ser questionado por um repórter sobre a articulação dessa viagem, Flávio optou por responder em inglês, justificando depois que a intenção era evitar que o presidente Lula compreendesse o conteúdo de suas tratativas.
O tabuleiro dos outros pré-candidatos
A polarização entre o PT e o PL continua a ser vista com críticas por outros atores do cenário político:
Renan Santos (MBL): Questionado sobre sua preferência em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio, o pré-candidato comparou as opções a "pegar ebola ou ser atropelado por uma carreta", mantendo a postura de distanciamento de ambos os polos.
Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD): Cumpriram agendas setoriais, com Zema em almoço reservado com empresários em São Paulo e Caiado focando o agronegócio no sul de Minas Gerais.
Crise no DC: O partido Democracia Cristã vive um impasse interno com o processo de expulsão do ex-ministro Aldo Rebelo, que se recusa a abrir mão de sua pré-candidatura em favor de Joaquim Barbosa, nome defendido pela cúpula da sigla.
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