O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai incluir a criação de um Ministério da Segurança Pública em seu programa de governo para o próximo ciclo eleitoral. A sinalização ocorreu durante reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em Brasília. Atualmente, as ações e políticas da área estão sob a responsabilidade do Ministério da Justiça e Segurança Pública, pasta que engloba diversas atribuições do Poder Executivo.
A implementação da nova estrutura ministerial, no entanto, depende da tramitação e do cumprimento de etapas legislativas no Congresso Nacional. Caia Messina informa que o governo condiciona a efetivação da pasta à aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, projeto que pode ser votado no plenário do Senado no próximo mês.
Acordo com Alcolumbre e pautas prioritárias
O encontro de aproximação entre o presidente da República e o presidente do Senado ocorreu após um período de ruídos políticos entre as partes. O diálogo institucional havia sido interrompido em abril, depois que o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, a articulação do Palácio do Planalto atribuiu a derrota ao alinhamento interno conduzido por Davi Alcolumbre.
Após o término da reunião, Davi Alcolumbre destacou o caráter institucional da conversa e o restabelecimento do diálogo entre os Poderes. Para Davi Alcolumbre, a retomada da interlocução direta entre a presidência do Congresso e o Executivo é essencial para o fortalecimento da democracia e o andamento das pautas do país.
A reunião permitiu definir o andamento de projetos prioritários para o governo federal no Poder Legislativo:
- Taxa das blusinhas: Análise da Medida Provisória que isentou de imposto as compras internacionais de pequeno valor, com prazo de validade fixado até 8 de setembro.
- PEC da Segurança Pública: Votação da matéria no Senado, prevista para ser levada a plenário no mês de setembro.
- Fim da escala 6x1: Discussão sobre a proposta de emenda à Constituição que altera a jornada de trabalho, cujo trâmite deve ser levado a plenário após as eleições, no fim do ano.
Movimentação dos candidatos à Presidência
A agenda de reuniões em Brasília integra o cenário de articulações e pré-campanha dos postulantes à Presidência da República. Enquanto a articulação do governo buscava convergência no Senado, outros nomes com pretensões eleitorais cumpriram agendas externas e reuniões políticas.
O candidato do PL, Flávio Bolsonaro, esteve reunido com o comando de sua campanha eleitoral. O grupo busca estratégias para ampliar a aceitação do candidato nos eleitorados feminino e evangélico, explorando a imagem da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. No entanto, interlocutores confirmaram que Michelle não fará viagens nem subirá em palanques com o enteado, sob a justificativa de que precisa acompanhar o tratamento de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em São Paulo, o candidato do PSD, Ronaldo Caiado, participou de um encontro com empresários e lideranças do setor de transporte de cargas. Durante o evento, Ronaldo Caiado manteve a estratégia de disputar votos no eleitorado conservador e criticou a ausência de adversários diretos no debate promovido pela Band, marcado para o dia 23 de agosto. Ronaldo Caiado avalia que a recusa em participar de confrontos diretos na televisão representa uma fuga do debate sobre propostas e histórico público.
Em outras agendas pela capital paulista, o candidato do Missão, Renan Santos, participou de um jantar com empreendedores no período da noite. O candidato do Novo, Romeu Zema, não cumpriu compromissos públicos ao longo do dia.
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