Jornal da Band

Marco Buzzi sofre pressão para se aposentar após denúncias de assédio

Magistrado é investigado por crimes sexuais contra ex-funcionária e filha de amigos; CNJ registra recorde de 15 mil processos por assédio no Judiciário

Alex Gusmão
ALEX GUSMÃO

13/02/2026 • 19:43 • Atualizado em 13/02/2026 • 19:43

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi, enfrenta forte pressão de colegas para solicitar sua aposentadoria imediata. O movimento ganha força nos bastidores do tribunal antes mesmo da conclusão da sindicância interna que apura graves denúncias de assédio sexual contra o magistrado. Buzzi já foi suspenso de suas funções por unanimidade pelo Plenário do STJ e tem até o dia 10 de março para decidir sobre o pedido de jubilação.

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As investigações criminais contra o ministro tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), devido ao foro privilegiado, e abrangem dois casos distintos. O primeiro envolve a denúncia de crime sexual contra a filha de um casal de amigos, de 18 anos, em Balneário Camboriú (SC). O segundo caso refere-se a uma recepcionista terceirizada que trabalhava em seu gabinete, cujos detalhes do depoimento foram revelados pelo Jornal da Band.

Detalhes das denúncias e o papel do CNJ

No depoimento prestado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a ex-funcionária relatou pelo menos três episódios de assédio ocorridos dentro das dependências do STJ: na biblioteca, em uma sala fechada utilizada para guardar as becas dos ministros e em um corredor da Corte. Segundo o relato, a situação era de conhecimento de sua chefia direta, que chegou a escalar uma segunda funcionária para trabalhar no mesmo horário, garantindo que a vítima nunca ficasse sozinha com o magistrado.

O depoimento foi considerado contundente pelos conselheiros do CNJ, especialmente após outros funcionários do gabinete confirmarem as informações. Diante da gravidade dos fatos, há pedidos para que o STJ suspenda o pagamento do salário de 46 mil reais do ministro, que atualmente cumpre uma licença médica de 90 dias.

A situação de Marco Buzzi não é um fato isolado no Poder Judiciário. Dados do CNJ apontam um crescimento alarmante de 30% nas denúncias de assédio moral ou sexual em relação a 2024. Somente no ano passado, foram abertos 15.124 processos para apurar condutas dessa natureza em todo o país.

Casos de assédio no TRF e ambiente de trabalho

Além do caso no STJ, uma nova denúncia envolve o diretor de segurança do Tribunal Regional Federal (TRF). Uma vítima afirma que o superior ofereceu auxílio profissional em troca de favores sexuais. Após a denúncia ao setor de acolhimento do tribunal, a funcionária foi demitida, medida que o próprio TRF reconheceu em documento oficial.

Testemunhas relatam um ambiente de perseguição e humilhação. Um servidor, que prestou apoio às vítimas, afirma ter sofrido retaliações do diretor de segurança. O Ministério Público do Trabalho já colheu depoimentos sobre o caso. Procurado, o diretor de segurança do TRF não se manifestou sobre as acusações.