Jornal da Band

Moody's rebaixa nota do BRB para alto risco após rombo com Banco Master

Decisão da agência reflete incertezas sobre prejuízo de R$ 12 bilhões; STF desobriga Ibaneis Rocha de depor em CPI sobre o caso

PEDRO TEIXEIRA

03/04/2026 • 21:39 • Atualizado em 03/04/2026 • 21:39

O Banco de Brasília (BRB) enfrenta uma crise institucional e financeira após a agência de classificação de risco Moody's rebaixar sua nota de crédito para o nível de "alto risco". A avaliação negativa é um reflexo direto das incertezas em torno de um rombo bilionário relacionado à tentativa frustrada de compra do Banco Master, operação que foi barrada pelo Banco Central. O cenário aumentou a pressão sobre a diretoria do banco público e acendeu o alerta no mercado financeiro.

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Para tentar conter o desgaste e garantir a sustentabilidade da instituição, o BRB busca reduzir danos e recuperar recursos para cobrir um prejuízo estimado em R$ 12 bilhões. A estratégia jurídica inclui um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que a Corte priorize a recuperação de valores ligados à fraude do Master. O banco solicita:

  • O bloqueio de bens, ativos e valores em dinheiro vinculados às investigações em curso.
  • A reserva de cifras obtidas por meio de acordos de colaboração premiada.
  • Que o Judiciário vincule esses montantes diretamente ao ressarcimento dos cofres do banco.

Ibaneis Rocha é desobrigado de depor em CPI

No âmbito político, o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, obteve uma vitória judicial. O ministro André Mendonça, do STF, concedeu uma liminar que desobriga o político de prestar depoimento à CPI do Crime Organizado, previsto para a próxima terça-feira. Ibaneis havia sido convocado justamente para explicar as motivações que levaram o BRB a tentar adquirir o Banco Master. Com a decisão, ele não terá de prestar esclarecimentos sobre o caso ao colegiado.

Investigação sobre fortuna oculta e possíveis delações

Enquanto o banco tenta reaver os valores, a Polícia Federal (PF) trabalha para rastrear o patrimônio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A suspeita dos investigadores é que o banqueiro tenha ocultado mais de R$ 2 bilhões em contas no exterior.

A conexão de Vorcaro com integrantes do Poder Judiciário também entrou no radar das autoridades. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) indicaram que, em 2025, os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli utilizaram jatos de empresas ligadas ao banqueiro. O ministro Alexandre de Moraes nega ter voado em aeronave de Vorcaro, enquanto Dias Toffoli não se manifestou sobre o assunto.

Para a Polícia Federal e o Ministério Público, qualquer tentativa de acordo de delação premiada por parte de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado, Fabiano Zettel, deve ser "completa". Isso significa que os colaboradores precisariam detalhar, com provas robustas e consistentes, as relações mantidas com ministros, políticos e integrantes do Banco Central. Defesas e escritórios de advocacia envolvidos nas negociações alertam que, sem evidências sólidas, as denúncias podem gerar retaliações judiciais e impedir que os delatores obtenham os benefícios previstos em lei.