Jornal da Band

Número de caminhoneiras cresce 55% em SP entre 2021 e 2026

Apesar do avanço de mulheres habilitadas na Categoria E, motoristas femininas representam menos de 2% no setor de transporte de cargas

Roberta Scherer
ROBERTA SCHERER

04/08/2026 • 07:00 • Atualizado em 04/08/2026 • 07:00

O número de mulheres habilitadas para dirigir caminhões de grande porte cresceu 55% no estado de São Paulo entre 2021 e junho de 2026. A expansão ocorre em meio à busca por novas oportunidades de trabalho no setor de transporte rodoviário de cargas. O levantamento é do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP).

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No mesmo período, o número de homens habilitados na Categoria E — exigida para a condução de carretas e caminhões articulados — teve um crescimento de 7%. A estatística reflete uma abertura gradual do mercado de trabalho para condutoras femininas.

Apesar da alta percentual, a presença feminina no setor ainda é minoritária. O estado de São Paulo contabiliza 538.999 motoristas habilitados na Categoria E, dos quais 529.445 são homens e 9.554 são mulheres. As motoristas representam menos de 2% do total de condutores dessa categoria de CNH.

Desafios na estrada e apoio entre motoristas

A caminhoneira Ana Paula Boiani atua na profissão há 20 anos. Após duas décadas dirigindo veículos de terceiros, ela comprou o próprio caminhão com economias pessoais para realizar entregas de forma autônoma.

"A estrada traz liberdade. Nunca consegui trabalhar em um lugar presa ou dentro de um escritório. Gosto da sensação livre que a estrada permite, sem ter aquela rotina fixa", afirma Ana Paula Boiani.

A rotina de trabalho impõe desafios comuns a todos os caminhoneiros, como as más condições das rodovias e os riscos de segurança. As mulheres enfrentam também problemas específicos de infraestrutura nos pontos de parada, como a escassez de banheiros limpos e privativos.

Para enfrentar as dificuldades do cotidiano, as caminhoneiras organizam redes de apoio e grupos de mensagens. "Uma vai incentivando a outra. A mulher é mais minuciosa e detalhista. O que um homem faz no caminhão, a mulher também consegue fazer", relata Ana Paula Boiani.

Demanda de mercado e busca por profissionais

A expansão de mulheres no segmento de transporte coincide com a falta de mão de obra qualificada relatada por empresas do setor logístico. A vice-presidente de ESG da NTC&Logística, Joyce Bessa, avalia que o cenário criou espaço para a inserção feminina nas frotas de transporte rodoviário.

"As empresas estavam com muita falta de motoristas e começaram a buscar uma nova oportunidade. As mulheres querem trabalhar no transporte rodoviário de cargas. Todo ser humano, independentemente de sexo ou raça, pode entregar o seu melhor quando quer fazer algo, e isso já está provado no setor", analisa Joyce Bessa.

O setor de transporte desenvolve iniciativas para adaptar estruturas de apoio e rotas de viagem, visando garantir maior segurança e condições de trabalho adequadas às motoristas profissionais nas rodovias brasileiras.