Jornal da Band

PF diz que pilotos sabiam de falhas em avião da Voepass antes da decolagem

Investigação criminal que será divulgada nesta quinta reconstrói o voo e revela que o mesmo alerta de degelo já constava de três viagens anteriores

Rodrigo Hidalgo
RODRIGO HIDALGO

05/08/2026 • 19:48 • Atualizado em 05/08/2026 • 20:56

A Polícia Federal concluiu a investigação do acidente com o avião da Voepass, que deixou 62 mortos em Vinhedo, no interior paulista, dois anos atrás. O laudo aponta que a tripulação sabia que o sistema de degelo apresentava falhas, mas ainda assim decolou para uma rota onde havia previsão de formação severa de gelo.

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As últimas conversas na cabine revelam que o problema já era conhecido pelos pilotos. No voo anterior ao do acidente, o comandante comemorou o pouso e disse: "Chegamos vivos". Pouco depois, o mesmo avião decolou, e o piloto ironizou, comparando a aeronave ao fusquinha do filme Herbie.

Mais tarde, enquanto o gelo se acumulava nas asas, o comandante desabafou: "Essa bosta não tá funcionando, né?". Segundos depois, o avião perdeu sustentação, caiu em parafuso e explodiu ao atingir o solo. Ninguém sobreviveu.

O laudo, com quase 200 páginas, reconstruiu não apenas o voo da tragédia, mas também as viagens anteriores da aeronave. Os peritos descobriram que o mesmo alerta de falha no sistema de degelo havia sido registrado em três voos anteriores ao do acidente.

Para a PF, a tragédia foi provocada pela combinação de falhas recorrentes no sistema de degelo, da decisão de operar em uma área de formação severa de gelo, de erros operacionais e de uma sucessão de barreiras de segurança que deixaram de funcionar.

A conclusão reforça o que o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) já havia apontado. No relatório final, divulgado em 23 de julho, o órgão identificou 19 fatores contribuintes para a queda e concluiu que a tripulação decidiu prosseguir mesmo sabendo, antes da decolagem, da falha no sistema de degelo, operando abaixo dos níveis mínimos de segurança aceitáveis.

O Cenipa também destacou uma cultura de "normalização de desvios" na empresa e falhas de manutenção que deixaram de ser registradas.

A conclusão do inquérito criminal deve ser divulgada nesta quinta-feira (6). A expectativa é que a PF indique os responsáveis e peça a responsabilização criminal de quem contribuiu para o acidente. O avião havia saído de Cascavel, no Paraná, e seguia para Guarulhos, na Grande São Paulo.