
Policiais são presos por extorquirem traficantes
Reprodução/Band
A Polícia Federal deflagra a segunda fase da Operação Anomalia e prende o delegado Marcus Henrique de Oliveira Alves, titular de uma delegacia na Zona Norte do Rio de Janeiro. Além dele, dois policiais civis, identificados como Franklin José de Oliveira Alves e Leandro Moutinho de Deus, também são alvos de mandados de prisão. A ação investiga um esquema criminoso em que agentes de segurança extorquem traficantes da facção Comando Vermelho.
Segundo as investigações, o grupo liderado pelo delegado Marcus Henrique forja intimações oficiais para ameaçar criminosos. O objetivo das ameaças é a cobrança de propina para que a polícia ignore as atividades ilícitas dos traficantes na região. Para evitar o contato direto e minimizar riscos de flagrante, os valores são recebidos por meio de intermediários.
Entre os envolvidos no esquema está Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, conhecido como Dudu, assessor de TH Joias — empresário e ex-deputado preso no ano passado por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Um dos alvos das extorsões praticadas pelos policiais é Gabriel Dias de Oliveira, o "Índio do Lixão", apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho.
Desdobramentos da Operação Anomalia
A segunda fase da operação ocorre menos de vinte e quatro horas após a primeira etapa, realizada nesta segunda-feira. Na ocasião, a Polícia Federal cumpre quatro mandados de prisão relacionados a um esquema de favorecimento ao traficante internacional Gerel Palm, natural de Curaçao. Palm possui histórico criminal por tráfico, porte ilegal de armas e tentativa de homicídio.
As investigações da PF apontam que a advogada de Gerel, Patrícia Falcão, teria efetuado o pagamento de R$ 150 mil ao ex-secretário estadual de Esportes do Rio, Alessandro Carracena. O montante visava a intervenção direta no processo de extradição do traficante. Carracena, que já estava preso desde o ano passado, aciona uma rede de contatos que inclui o delegado da Polícia Federal Fabrizio José Romano.
De acordo com o inquérito, Fabrizio Romano é suspeito de receber propina em troca do fornecimento de informações sigilosas e do uso de sua influência dentro da instituição policial. Tanto o delegado federal quanto a advogada Patrícia Falcão foram presos nesta segunda-feira. No Jornal da Band, Eduardo Oinegue ressalta a gravidade da infiltração do crime organizado nas cúpulas das polícias Civil e Federal.
O processo investigativo segue em curso para identificar outros possíveis beneficiários do esquema e mapear a extensão da rede de corrupção dentro das forças de segurança do Rio de Janeiro. Os detidos respondem por crimes de corrupção passiva, organização criminosa e extorsão.
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