Jornal da Band

Polícia investiga se grupo que estuprou jovem no RJ integra rede 'red pill'

Uso de lema misógino por acusado levanta suspeita de ligação com cultura 'red pill'; pai de preso é investigado por ameaças

LAILA HALLACK

09/03/2026 • 20:11 • Atualizado em 09/03/2026 • 20:11

A investigação sobre o estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana, no Rio de Janeiro, ganhou uma nova vertente: a possível conexão dos criminosos com grupos que pregam o ódio às mulheres na internet. A Polícia Civil apura se os acusados fazem parte de comunidades que incentivam práticas criminosas e a misoginia.

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Lema de influenciador e cultura de ódio

A suspeita sobre o envolvimento com a chamada cultura ‘red pill’ - que defende nas redes sociais a superioridade masculina - ganhou força no momento da prisão de Victor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos. Ele se entregou à polícia vestindo uma camiseta com a frase "Regret Nothing" (não se arrependa de nada, em inglês).

O lema é associado a Andrew Tate, influenciador digital com milhões de seguidores conhecido por conteúdos que exaltam a masculinidade tóxica e diminuem as mulheres. Para o advogado Ronny Nunes, da Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da OAB-RJ, o uso da vestimenta sinaliza uma distorção perigosa. "Esse ideal de pertencimento cria a distorção de que, mesmo sendo um criminoso sexual, estou defendendo uma causa e, por isso, tenho orgulho de vestir essa camisa", analisa.

Quebra de sigilo e investigação de rede

A polícia solicitou a quebra do sigilo de dados de todos os envolvidos para mapear a participação deles em fóruns e grupos que incentivam a violência de gênero. O objetivo é confirmar se o crime foi influenciado por esses ideais misóginos.

Atualmente, quatro adultos estão presos: Mattheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, ambos de 19 anos, além de Victor Hugo Simonin e Bruno Felipe dos Santos Alegretti, de 18. O quinto envolvido, um menor de 17 anos, cumpre internação provisória. Todos respondem pelo estupro ocorrido no dia 31 de janeiro, no qual a vítima relatou ter sido agredida e obrigada a ter relações com os cinco jovens.

Ex-subsecretário investigado por intimidação

O caso também atinge esferas políticas do estado. José Carlos Costa Simonin, ex-subsecretário do Rio e pai de um dos acusados, está sob investigação por ameaças e intimidação na internet. O crime de estupro foi cometido em um apartamento de sua propriedade.

Simonin é acusado de usar as redes sociais para ofender uma influenciadora que comentava o caso e o advogado da vítima, a quem chamou de "vagabundo". "Estou sendo intimidada por José Carlos Costa Simonin", relatou a influenciadora em vídeo. A defesa do ex-subsecretário não se manifestou sobre as publicações e ofensas relatadas.