Jornal da Band

Presidente Lula sobe o tom contra os EUA: "Não somos colonizados"

Em discurso de improviso em Bogotá, presidente brasileiro questiona passividade das Nações Unidas e defende soberania da América Latina contra invasões

Thayane Melo
THAYANE MELO

21/03/2026 • 22:17 • Atualizado em 21/03/2026 • 22:17

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra as potências globais durante o encontro de líderes da América Latina e do Caribe, em Bogotá, na Colômbia. Em um discurso marcado por improvisos e gestos de indignação — chegando a bater na mesa em diversos momentos —, Lula criticou duramente a postura dos Estados Unidos e a ineficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) diante dos conflitos globais.

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O primeiro alvo da fala presidencial foi o Conselho de Segurança da ONU. Lula manifestou profunda insatisfação com a passividade dos países membros para encerrar guerras. Para o presidente, o órgão e seus membros permanentes, que deveriam garantir a paz mundial, tornaram-se agentes do conflito. "São eles que estão fazendo as guerras", afirmou, questionando quando haverá atitudes para impedir que países poderosos se comportem como "donos" de nações mais frágeis.

Defesa da soberania e críticas a interferências

As declarações ocorrem em um contexto de tensão regional, com países vizinhos como Cuba e a própria Colômbia, do aliado Gustavo Petro, sob pressão política de Donald Trump. Sem citar nominalmente o presidente americano, Lula condenou as ameaças de intervenção externa e o que classificou como tentativas de desestabilização na Venezuela.

O presidente brasileiro questionou a legitimidade democrática de tais ações, baseando-se na Carta da ONU e em princípios éticos. "Não há, nem na Carta da ONU nem na Bíblia, nada que diga que um presidente pode organizar a invasão de um país a outro", enfatizou. Lula reforçou que a América Latina não é um território colonizado e que a soberania conquistada deve ser respeitada, impedindo qualquer intromissão que fira a integridade dos países da região.

Cúpula esvaziada e retorno ao Brasil

Apesar da contundência do discurso de Lula, a cúpula em Bogotá apresentou uma participação reduzida de chefes de Estado. Entre os líderes da América do Sul, apenas três compareceram ao evento: o anfitrião Gustavo Petro, o brasileiro Lula e o uruguaio Yamandú Orsi.

O presidente Lula tem chegada prevista em Brasília por volta da meia-noite deste domingo. A agenda de Lula segue intensa na segunda-feira, com um compromisso oficial programado para o Mato Grosso do Sul.