Jornal da Band

RJ: Justiça nega prisão de ginecologista indiciado por abuso de 7 pacientes

Relatos das vítimas apontam para uma conduta criminosa e abusiva no ambiente do consultório

Da redação
DA REDAÇÃO

04/06/2026 • 21:41 • Atualizado em 04/06/2026 • 21:41

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão do ginecologista Carlos Alfredo Mendes de Oliveira, de 71 anos, indiciado por violação sexual mediante fraude. O médico é alvo de denúncias de pelo menos sete mulheres, que relataram à polícia abusos cometidos durante as consultas médicas em um período que se estende de 2015 a 2026.

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Os relatos das vítimas apontam para uma conduta criminosa e abusiva no ambiente do consultório. Segundo as investigações e os depoimentos fornecidos pelas pacientes, o ginecologista realizava toques lascivos indevidos e desnecessários para os exames, além de fazer comentários invasivos de conotação sexual e observações constrangedoras sobre o corpo das mulheres.

Uma das vítimas relatou o impacto psicológico sofrido logo após o atendimento: “Quando eu saí do consultório que eu desabei, chorando muito. Eu tentei trabalhar ainda, só que eu cheguei lá de uma forma que eu não tinha condições”, contou ela, que precisou ser amparada no trabalho antes de ser encaminhada à delegacia para registrar a ocorrência.

Outra paciente detalhou a abordagem física agressiva do médico: "Ele enfiou as mãos por baixo de mim até no meio das minhas costas e me puxou para baixo, me puxou até ele, me encaixando nele". Ela ressaltou que a decisão de denunciar veio do medo de que outras mulheres passassem pela mesma situação: "Se eu não fizer nada, se eu não denunciar, ele vai continuar fazendo".

Apesar da gravidade e da reincidência dos relatos apresentados pelas autoridades policiais, o pedido de prisão foi indeferido pelo Poder Judiciário.

Atualmente, Carlos Alfredo Mendes de Oliveira está formalmente proibido de exercer a profissão pelo Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj). No entanto, o órgão informou que está apurando novas denúncias que indicam que, mesmo com o registro suspenso, o ginecologista estaria ainda realizando atendimentos no município de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.