Jornal da Band

Ladrões de motos usam redes sociais para exibir veículos roubados em SP

Levantamento exclusivo mostra que estado registra 8 roubos por hora; vítima reconheceu a própria moto em publicação e ajudou a polícia a localizar veículo

Da redação
DA REDAÇÃO

04/09/2025 • 19:33 • Atualizado em 04/09/2025 • 19:33

Criminosos especializados em roubo de motocicletas em São Paulo estão utilizando as redes sociais para exibir os veículos subtraídos, tratando os crimes como troféus e zombando das autoridades e das vítimas.

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Em perfis criados na internet, eles publicam fotos e vídeos das motos roubadas, ostentando o resultado de suas ações. A prática audaciosa faz parte de um cenário de violência crescente, que, segundo dados exclusivos obtidos pela repórter Larissa Biscaia, Rádio Bandnews FM, registra uma média de oito roubos de motos por hora em todo o estado.

O caso de uma das vítimas ilustra a tática dos bandidos. Milton, que prefere não revelar o sobrenome, viajava com a esposa para o Espírito Santo quando foi abordado pelos assaltantes. Dias depois do crime, ele se surpreendeu ao encontrar sua própria motocicleta em uma das publicações feitas pelos criminosos na internet. A ousadia da exposição, no entanto, acabou ajudando na investigação.

O celular da vítima, que permaneceu no painel do veículo durante o assalto, estava com um aplicativo de geolocalização ativado. Com a informação do perfil e os dados do rastreador, a polícia conseguiu localizar a moto em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. O veículo foi recuperado, mas já estava sem diversas peças.

Um levantamento realizado pela reportagem, com base em dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, revela a dimensão do problema.

Entre janeiro e agosto de 2025, foram registradas 46.527 ocorrências de roubo de motocicletas em território paulista. A capital concentra quase 40% desses crimes, com destaque para os bairros de Campo Limpo, Capão Redondo e Grajaú, todos localizados na zona sul da cidade.

A banalização do crime

A reportagem exclusiva, da repórter Larissa Biscaia, aponta que a exposição dos crimes nas redes sociais contribui para a banalização da violência. Para o professor e doutor em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), Alessandro Hirata, a internet se torna um palco onde os criminosos buscam uma espécie de reconhecimento por seus atos, desafiando a sociedade e as forças de segurança.

Essa atitude, segundo o especialista, reflete uma perda de referência sobre a gravidade dos delitos, transformando ações violentas em conteúdo para consumo digital.

Questionada sobre as publicações e a atuação dessas quadrilhas, a Polícia Civil de São Paulo afirma que monitora esse tipo de atividade por meio da Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos (Divecar). O órgão destaca que acompanha os perfis para identificar os autores dos crimes e recuperar os bens das vítimas.

Por outro lado, a Meta, empresa responsável pelo Instagram e outras redes sociais, informou que não irá se pronunciar sobre a existência e a proliferação desses perfis que promovem atividades criminosas em suas plataformas.

Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.

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