O Ministério da Saúde deu início, neste sábado (17), à aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante, que é 100% nacional e de dose única , está sendo distribuído inicialmente em três cidades brasileiras: Nova Lima (MG), Botucatu (SP) e Maranguape (CE). O projeto piloto nestes municípios servirá como base para o planejamento da vacinação em massa no restante do território brasileiro.
A escolha das cidades seguiu critérios técnicos e epidemiológicos rigorosos. Em Nova Lima, a repórter Nash Castro acompanhou o início dos trabalhos, destacando que o objetivo é vacinar mais da metade da população local para gerar dados que orientem a estratégia nacional de imunização.
Público-alvo e cronograma nacional
Nesta etapa inicial, as doses são destinadas a pessoas com idade entre 15 e 59 anos. O Ministério da Saúde estabeleceu contraindicações específicas: não devem ser vacinados gestantes, lactantes, pessoas com imunodeficiência ou aqueles que contraíram dengue nos últimos seis meses. A previsão é que a campanha de imunização em escala nacional comece no segundo semestre de 2026.
De acordo com o Diretor do Departamento de Imunizações do Ministério da Saúde, Eder Gatti, a capacidade de produção para este ano está estimada entre 30 milhões e 40 milhões de doses. Gatti ressalta que, embora haja ansiedade por parte da população, a estrutura está sendo preparada para atender todo o país.
Alerta epidemiológico e combate ao mosquito
A urgência na vacinação é reflexo dos dados epidemiológicos recentes. Em 2025, o Brasil contabilizou mais de 1,4 milhão de casos de dengue e 1.780 mortes. Os números sucedem um ano recorde (2024), quando a doença atingiu a marca de 6 milhões de casos e quase seis mil óbitos.
Mesmo com o avanço tecnológico representado pela vacina do Butantan, que é gratuita e oferecida pelo SUS, as autoridades sanitárias reforçam que a prevenção continua fundamental. Eder Gatti afirma que a população não pode abrir mão das atitudes convencionais de combate aos criadouros do mosquito Aedes aegypti. A eliminação de focos de água parada permanece como uma estratégia indispensável ao lado da imunização.
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