Produtores de insumos agrícolas no Brasil solicitaram a intervenção do Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, para assegurar o fornecimento emergencial de fertilizantes. O setor alerta que a escassez de produtos pode comprometer o plantio da próxima safra, prevista para começar em agosto, com reflexos diretos no custo de produção de lavouras como soja, milho, trigo e algodão.
A agricultura brasileira depende do mercado externo para obter mais de 90% dos fertilizantes utilizados nas lavouras. A parcela produzida internamente também é dependente de matérias-primas importadas, tornando o setor sensível a crises geopolíticas internacionais.
Impactos da geopolítica no campo
A instabilidade no fornecimento é reflexo de um mercado global em constante mudança desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, há quatro anos. A Rússia, que antes era uma das principais exportadoras de enxofre, alterou sua posição no mercado, enquanto a China suspendeu exportações de fertilizantes para priorizar o abastecimento interno.
Recentemente, a restrição de tráfego no Estreito de Ormuz, devido a tensões no Oriente Médio, dificultou ainda mais a circulação de insumos fundamentais. De acordo com o diretor-executivo do Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert), Bernardo Silva, o cenário atual é de incerteza.
Haverá um aumento do custo de produção de diversas lavouras, não apenas soja, mas milho, trigo, algodão, entre outros, que utilizam bastante o fertilizante. Agora, o nível que isso vai atingir ainda é uma interrogação, afirmou.
Busca por novos fornecedores
Para mitigar os riscos, o setor de fertilizantes no Brasil buscou auxílio diplomático. O objetivo é que o governo brasileiro atue na busca por novos mercados e junto a nações parceiras para liberar a exportação de insumos.
O Itamaraty confirmou que já acionou representações diplomáticas em diversos países para realizar apelos aos governos locais e agilizar a venda de fertilizantes. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o tema é considerado prioridade nas missões internacionais do ministro Mauro Vieira.
Apesar da recente queda nos preços de fertilizantes derivados de petróleo, motivada pela expectativa de um possível acordo entre Irã e Estados Unidos para liberar o tráfego marítimo na região, o setor defende uma política de longo prazo.
A gente precisa não apenas de medidas emergenciais, mas também criar mecanismos que viabilizem, no médio e longo prazo, novos projetos que vão acelerar o aumento da capacidade produtiva nacional de fertilizantes, concluiu Bernardo Silva.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

