O caso da morte do policial militar José Maria da Silva Júnior, de 40 anos, no Recife, teve uma reviravolta. Helen Kelly de Lima Pedrosa, ex-namorada do militar e até então tratada como vítima de uma tentativa de envenenamento, teve a prisão decretada pela Justiça, agora como principal suspeita de matá-lo. Ao ser informada do mandado, ela pulou da janela do apartamento, no quarto andar, para tentar fugir.
Câmeras de segurança registraram a queda: a mulher despenca sobre um carro e cai no chão. Atendida pelo Samu com várias fraturas, foi levada ao hospital sob custódia. Os policiais cumpriam o mandado de prisão quando ela pediu para trocar de roupa e se jogou.
A virada na investigação contrasta com o cenário inicial. No dia 11 de junho, quando o crime aconteceu, Helen era vista como vítima: ela tinha uma medida protetiva em vigor contra o policial, apontado como autor de agressões, e ele foi até o apartamento dela descumprindo a ordem judicial. Dias antes, ele teria enviado mensagens de ameaça, exigindo que a mulher retirasse a proteção.
Durante o encontro, enquanto os dois consumiam energético, ela percebeu uma movimentação estranha com as taças. Segundo o relato dela à polícia, a mulher costuma marcar com um pequeno ponto preto as taças destinadas a visitantes.
Ao voltar de um breve afastamento para buscar gelo, a pedido do policial, notou que os recipientes haviam sido trocados. Com medo, pediu que ele fosse até a varanda guardar as botas e, nesse intervalo, destrocou as taças. "Naquela situação de perplexidade, de medo, de angústia, ela viu a saída", relatou o advogado da mulher, Rafael Nunes.
Depois de ingerir a bebida da taça manipulada, o policial passou mal. O Samu foi acionado, mas ele não resistiu e morreu no local. Durante a revista, os policiais encontraram na mochila da vítima um facão, entorpecentes e medicamentos.
O que mudou o rumo da apuração foi o depoimento de outro ex-namorado de Helen, mais de um mês depois. O homem afirma que ela fez falsas denúncias de agressão contra ele e que também tentou envenená-lo.
O exame toxicológico no policial detectou a presença de clonazepam, um calmante de uso controlado. A polícia ainda aguarda o laudo do Instituto Médico Legal (IML) sobre a causa da morte.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

