Jornal da Band

TCU denuncia gastos excessivos em voos da FAB para autoridades

Auditoria revela que viagens oficiais custam seis vezes mais que voos comerciais; 111 decolagens transportaram apenas um passageiro entre 2020 e 2024

PEDRO TEIXEIRA

17/04/2026 • 21:11 • Atualizado em 17/04/2026 • 21:11

Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) revela graves irregularidades na gestão de voos da Força Aérea Brasileira (FAB) exclusivos para autoridades dos três Poderes. O relatório detalha um cenário de custos exorbitantes, uso ineficiente de recursos públicos e uma sistemática falta de transparência. De acordo com o levantamento, que analisou mais de 7 mil voos realizados entre 2020 e 2024, utilizar aeronaves oficiais custa, em média, seis vezes mais do que a emissão de bilhetes em voos comerciais.

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O dado mais alarmante da auditoria aponta que, em menos de quatro anos, 111 viagens foram realizadas levando apenas um único passageiro, acompanhado apenas pela tripulação. O tribunal estima que, se as autoridades optassem por voos de carreira em vez das aeronaves da FAB, a União economizaria cerca de R$ 81 milhões por ano.

Falhas de cadastro e descarte de provas

O relatório do TCU também denuncia que o sigilo sobre as informações dessas viagens tem sido aplicado de forma automática e sem fundamentação legal, o que impede o controle social. Além disso, a fiscalização encontrou falhas graves em 70% dos pedidos de voo analisados, incluindo listas de passageiros com nomes incompletos e CPFs inexistentes.

Outro ponto crítico destacado pelo tribunal é a violação da lei pela Força Aérea ao descartar listas de passageiros que viajaram entre 2020 e 2023. Essa eliminação de documentos apagou rastros fundamentais para a fiscalização financeira e administrativa do uso das aeronaves.

Diante do diagnóstico de descontrole, o TCU determinou que a Casa Civil, o Ministério da Defesa e o Comando da Aeronáutica implementem uma reforma imediata nas normas de transporte. A partir de agora, será necessário provar a indispensabilidade do uso da FAB em relação ao voo comercial, além de apresentar justificativa individual para cada membro de comitivas e a identificação completa de todos os ocupantes.