Há cem anos, um navio trouxe para o Brasil quase quinhentos imigrantes japoneses que mudariam a história da agricultura no país. Eles desembarcaram com técnicas próprias de cultivo e ajudaram a transformar o trabalho no campo.
Vegetais como rúcula, acelga, couve, cenoura e beterraba, além de frutas e outras hortaliças, vieram na bagagem de um povo que enfrentou uma jornada marítima de dois meses para chegar ao Brasil no início do século passado.
O navio Kasato Maru ficou conhecido por trazer os primeiros imigrantes japoneses em 1908, mas uma outra embarcação, o Manila Maru, fez história dezessete anos depois ao atracar no porto de Santos. Do navio, desembarcaram 480 japoneses, a maioria jovens com experiência no plantio de arroz. Segundo Toshiro Iwayama, vice-presidente do Museu da Imigração Japonesa, os japoneses eram especialistas e trouxeram instrutores para o cultivo de arroz no Brasil.
Contribuição para o desenvolvimento agrícola brasileiro
Inicialmente, nas lavouras de café paulistas, os japoneses tinham a oportunidade de comprar seu próprio pedaço de terra após dois anos de trabalho para investir em outras culturas. Foi o que fez o avô de Gildo Saito, que hoje é produtor de cogumelos, seguindo a tradição familiar.
Na década de 1970, a comunidade japonesa foi fundamental na transformação do Cerrado brasileiro, hoje a principal área de produção de soja no país. Um agrônomo ressalta que eles trouxeram o melhor professor de solos do Japão, que ensinou a técnica de usar calcário para corrigir a acidez e melhorar a fertilidade do solo, tornando a terra produtiva.
Uma das maiores e mais antigas colônias japonesas no Brasil está localizada em Mogi das Cruzes, no estado de São Paulo. As duas primeiras famílias chegaram à cidade com a intenção de cultivar frutas, mas, como a produção levaria de quatro a cinco anos, resolveram trabalhar com batatas e hortaliças. O ciclo de produção mais rápido dessas culturas garantia o sustento imediato das famílias.
Atualmente, Mogi das Cruzes é parte do cinturão verde de São Paulo, sendo responsável pela produção de um quarto das hortaliças consumidas no estado. Alberto, de 60 anos, é um dos produtores rurais que segue a tradição de seu pai.
Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.
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