Jornal da Band

Viúvo relata terror dentro de piscina de academia em SP: "Parecia cândida"

Vinicius de Oliveira passou oito dias internado, sendo sete na UTI, após ser intoxicado junto com a esposa durante uma aula de natação na Zona Leste de São Paulo

SANDRO BARBOZA

16/02/2026 • 21:29 • Atualizado em 16/02/2026 • 21:29

Um dia após receber alta médica, o técnico de informática Vinicius de Oliveira quebrou o silêncio e falou pela primeira vez sobre a tragédia que vitimou sua esposa, Juliana Faustino Baseto, de 27 anos. O casal sofreu uma grave intoxicação por cloro enquanto nadava em uma academia na Zona Leste de São Paulo.

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Em entrevista ao Jornal da Band, Vinicius, que passou oito dias internado — sete deles em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) —, relatou os momentos de terror vividos na piscina da academia C4 Gym e a dor do luto.

O Incidente

A tragédia ocorreu no dia 7 de fevereiro. Segundo as investigações, o incidente foi provocado após um balde de cloro ser misturado à água da piscina enquanto alunos ainda estavam no local. Além do casal, outras cinco pessoas passaram mal.

Vinicius descreveu a sensação imediata de que algo estava errado.

"Comecei a sentir uma ardência na garganta. Eu senti queimando, parecia que eu tinha engolido cândida [água sanitária]", relatou. Ao olhar para o lado, percebeu que Juliana apresentava os mesmos sintomas e estava paralisada.

"Eu viro para trás e ela está igual a mim. Aí eu tive a noção de que não seria só comigo e saí correndo para tirar ela de lá", contou o técnico de informática.

Negligência e Irregularidades

Juliana chegou a ser levada ao hospital, mas sofreu uma parada cardíaca decorrente da intoxicação e não resistiu. Vinicius, que lutava pela própria vida na UTI, só soube da morte da esposa após recuperar a consciência.

A Polícia Civil indiciou os sócios da academia — César Michelof Terração e os irmãos Celso e César Bertoloto Cruz — por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar. O Ministério Público chegou a solicitar a prisão dos três, mas o pedido foi negado pela Justiça.

Além da falha no manuseio dos produtos químicos, a reportagem revelou que a academia funcionava sem alvará. O estabelecimento foi fechado pela prefeitura logo após a morte da aluna. Um manobrista que atuava na limpeza da piscina também prestou depoimento.

"Perda Irreparável"

De volta para casa, Vinicius agora enfrenta a difícil realidade de viver sem a companheira. Ele espera que a morte de Juliana sirva de alerta para que a fiscalização seja mais rigorosa e situações como esta não se repitam.

Muito emocionado, ele desabafou sobre o vazio deixado pela esposa: "Eu estou vivendo o luto, a família está vivendo o luto. É muito difícil. Eu perdi o amor da minha vida. É uma coisa irreparável, eu não vou ter de volta".