Três pré-candidatos à Presidência da República participaram de um evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, para discutir propostas econômicas para o país. Durante o encontro, Romeu Zema (Novo), Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) apresentaram visões distintas sobre o futuro da gestão pública e do cenário político nacional. O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, também foi convidado, mas não compareceu ao evento.
Zema critica benefícios sociais
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, aproveitou o espaço para defender a privatização de empresas estatais e o corte de gastos públicos. O pré-candidato criticou a atual configuração da jornada de trabalho e afirmou que pretende exigir que homens beneficiários do Bolsa Família comprovem estudos para receberem o auxílio. Zema justificou que a regra seria diferente para mulheres, pois elas teriam “outras atribuições em casa”.
O pré-candidato do Novo foi enfático ao abordar os impactos dos auxílios governamentais. "Os homens hoje são convidados a trabalhar, e as pessoas não vão por um motivo muito simples: elas têm a segurança de receber um benefício", afirmou. Zema completou a crítica ao declarar que o modelo vigente está "criando uma geração de imprestáveis".
Flávio Bolsonaro questiona segurança jurídica
Já Flávio Bolsonaro focou seu discurso na redução de impostos e na desburocratização da economia. Sem mencionar nomes, o pré-candidato do PL aproveitou a ocasião para tecer críticas contundentes ao Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que existe uma insegurança jurídica no país devido a decisões da Corte.
"O Supremo hoje parece mais uma delegacia do que uma corte constitucional", disparou Flávio. O senador afirmou que há ministros tentando interferir no processo eleitoral ao decidir quem pode ou não ser candidato. Além disso, o postulante ao cargo prometeu que, se eleito, adotará uma política externa pragmática, com foco na relação com Estados Unidos e China.
Caiado defende redução do ‘Custo Brasil’
O pré-candidato do PSD, Ronaldo Caiado, centrou sua participação na necessidade de reduzir o chamado "Custo Brasil". Para ele, o conjunto de entraves econômicos que encarece a produção nacional foi renomeado durante o seu discurso. "Tudo aquilo que compromete e aumenta o custo Brasil, que eu muitas vezes tomo a liberdade de chamar custo PT no Brasil", disse.
Caiado reforçou que o impacto econômico atual tem levado o setor industrial a um "grau de estrangulamento" que, segundo ele, torna a atividade impossível. Durante o evento, a CNI entregou um documento com prioridades para o setor, defendendo um ajuste fiscal amplo para diminuir os juros e baratear o crédito para novos investimentos.
Lula cumpre agenda no Rio
O presidente Lula, que concorre à reeleição, não participou do evento da CNI devido a uma agenda no Rio de Janeiro. No estado, ele assinou a adesão ao Programa de Renegociação das Dívidas Estaduais (Propag) e anunciou investimentos voltados para a reindustrialização do país por meio do programa "Nova Indústria Brasil".
Sobre o setor produtivo, Lula defendeu a cooperação entre os setores. "O Brasil não pode comportar mais aquele discurso atrasado entre a competência privada e a competência pública", afirmou. De acordo com o presidente, a prioridade deve ser a eficiência. "O que é público e funciona tem que continuar público e funcionando; o que é privado e funciona tem que continuar a ser privado e funcionando. O que importa é que os dois produzam", concluiu. O pré-candidato do Missão, Renan Santos, não teve agenda pública presencial, mas concedeu entrevistas.
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