Jornal da Noite

BC recorre ao TCU contra inspeção em documentos do Banco Master

Autoridade monetária questiona decisão monocrática de ministro que autorizou auditoria técnica em processo de liquidação considerado “medida extrema”

NATHÁLIA PASE

07/01/2026 • 00:53 • Atualizado em 07/01/2026 • 00:53

O Banco Central (BC) apresentou um recurso contra a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que autorizou uma inspeção técnica nos documentos relativos ao processo de liquidação do Banco Master. O questionamento da autoridade monetária ocorre após o ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso no Tribunal, determinar que técnicos da Corte realizassem uma auditoria interna dentro do próprio Banco Central.

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O impasse jurídico teve início quando o ministro solicitou informações detalhadas sobre a liquidação do Banco Master, classificando a ação do BC como uma "medida extrema". A determinação permitia o acesso direto de auditores do TCU a documentos sigilosos do processo para apurar a regularidade da conduta do órgão regulador.

Questionamento de competência e rito processual

No recurso apresentado, o Banco Central argumenta que uma decisão de tamanha relevância — que autoriza a entrada de técnicos externos para inspecionar documentos internos — não deveria ser tomada de forma monocrática. Segundo a tese do BC, a autorização para tal auditoria é de competência exclusiva do plenário do TCU, exigindo, portanto, uma decisão colegiada entre todos os ministros da Corte, e não apenas do relator.

O movimento do Banco Central busca suspender a inspeção imediata até que o mérito da questão seja discutido pelo conjunto de ministros do tribunal.

Próximos passos no Tribunal de Contas

Atualmente, não há um prazo regimental para que o ministro Jhonatan de Jesus responda ao recurso interposto pelo BC. Contudo, nos bastidores do Judiciário e do setor financeiro, a expectativa é de que um posicionamento seja tomado com celeridade, dado o impacto da decisão no sistema financeiro nacional.

O ministro Jhonatan de Jesus possui duas alternativas processuais: pode responder ao recurso individualmente, mantendo ou revogando sua decisão anterior, ou encaminhar o pedido para que o plenário do TCU decida o destino da inspeção. O caso segue sob análise e deve pautar as próximas movimentações na relação entre o órgão regulador e a Corte de contas.

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