Um problema normalmente associado a países em desenvolvimento chega com força ao Reino Unido. Uma em cada dez famílias britânicas pula refeições não por escolha, mas por necessidade. São 3 milhões de lares em situação de insegurança alimentar, segundo a organização de defesa do consumidor Which.
As consequências vão além da fome. Há impactos na saúde, com dietas cada vez mais pobres em nutrientes, prejuízos no desenvolvimento físico e mental de crianças e queda no consumo que afeta a própria economia do país.
O problema tem raízes em uma sequência de choques econômicos que o Reino Unido enfrentou nos últimos anos: o Brexit, a pandemia, a guerra entre Rússia e Ucrânia e agora a crise energética causada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã.
De 2016 para cá, a inflação de alimentos acumulou alta de 60%. Na prática, um carrinho de compras que custava 100 libras hoje custa 160, sem que os salários acompanhem esse ritmo. As pessoas começam cortando restaurantes, roupas e viagens. Quando chegam a cortar comida, é porque algo sério está acontecendo.
Nesta quinta-feira, o Banco da Inglaterra definiu cenários para o impacto econômico da crise no Oriente Médio, incluindo a possibilidade de aumento vigoroso nos custos dos empréstimos.
O presidente da instituição alertou que a menor oferta de alimentos e os preços mais altos dos fertilizantes pressionam a inflação, e que não há nada que a política monetária possa fazer para impedir que isso atinja empresas e famílias britânicas.
O recado é claro: quanto mais tempo o conflito no Oriente Médio continuar, pior será o impacto.
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