
Fernando Schüler analisa indicação de Jorge Messias para o STF
Antônio Cruz/Agência Brasil
O cenário político em Brasília entra em uma nova fase com a formalização, por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da indicação de Jorge Messias para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O rito, que agora segue para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e posteriormente para o plenário do Senado, foi alvo de uma análise crítica do cientista político Fernando Schüler.
Para Schüler, o processo de escolha de ministros da Suprema Corte no Brasil tem se tornado cada vez mais previsível e menos rigoroso em termos técnicos.
A Tradição da "Aprovação Automática"
Schüler iniciou sua análise destacando que, historicamente, o Senado Federal tem exercido um papel quase figurativo nas sabatinas de magistrados. "Desde o início da República, tivemos aprovação praticamente automática. As sabatinas que se fazem no Senado não têm a profundidade que o país esperaria de uma indicação como esta", afirmou.
Segundo o analista, o país assiste a um ritual de contagem regressiva onde a rejeição de um nome é uma hipótese raríssima, o que esvazia o papel constitucional do Senado de fiscalizar e garantir o equilíbrio entre os poderes.
Alianças Políticas vs. Notório Saber Jurídico
Um ponto central da crítica de Schüler reside no perfil dos indicados por Lula em seu terceiro mandato. Ao comparar Jorge Messias a Flávio Dino e Cristiano Zanin, o analista pontua que a proximidade pessoal e a lealdade política têm prevalecido sobre o critério de "notório saber jurídico".
"Jorge Messias, assim como Flávio Dino e Cristiano Zanin, são aliados políticos do presidente. Você vai ter muito mais um jogo de interesses e de posicionamento político do que uma escolha jurídica propriamente dita", argumentou Schuler, sugerindo que o critério técnico acaba ficando em segundo plano diante da conveniência do Executivo.
A Sombra da Censura e a Atuação na AGU
O ponto mais sensível da indicação, segundo a análise, diz respeito à gestão de Messias à frente da Advocacia-Geral da União (AGU). Schuler trouxe à tona a criação da chamada "Procuradoria de Defesa da Democracia", órgão que tem sido alvo de críticas por supostas práticas de censura.
Ele citou especificamente episódios onde a AGU teria atuado contra a divulgação de conteúdos, como um documentário sobre Maria da Penha e a história do Brasil.
"Onde se praticou atos de censura evidentes... a partir de uma demanda política comandada pela procuradoria ligada à AGU sob comando de Jorge Messias. A pergunta é: essa discussão será feita no Senado?", questionou.
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