O segundo maior colégio eleitoral do país vive um xadrez político marcado por incertezas, reviravoltas e indefinições que podem impactar diretamente a corrida presidencial. Se não houver alterações até o encerramento do prazo para registro de candidaturas, no próximo sábado, Minas Gerais poderá registrar o maior número de postulantes ao governo estadual em todo o país: 11 no total. O cenário ganha seu primeiro grande teste de ideias no próximo domingo (16), no debate promovido pela Band em Belo Horizonte.
A maior movimentação envolve o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Líder nas pesquisas de intenção de voto, ele chegou a anunciar a desistência da candidatura após a morte do irmão mais novo, vítima de câncer. Dias depois, recuou e obteve o aval da direção nacional de seu partido para concorrer ao Palácio Tiradentes, lançando como vice o ex-prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão. No entanto, o anúncio ocorreu após o encerramento do prazo legal das convenções partidárias, o que traz incertezas jurídicas e políticas para o processo.
Impacto na aliança nacional e incertezas à direita
A reviravolta mexe diretamente no tabuleiro nacional. Para o pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, a candidatura de Cleitinho representaria a chance de garantir um palanque forte e estratégico no estado. O problema é que, durante o período em que o senador mineiro esteve fora do páreo, o PL lançou a pré-candidatura do empresário Flávio Roscoe ao governo mineiro.
O PL estadual afirma que manterá a candidatura própria de Roscoe e que não há conversas em andamento para reavaliar o acordo, gerando um impasse no campo conservador. O quadro de instabilidade reflete as dificuldades enfrentadas pelos principais presidenciáveis do país — incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Romeu Zema — para consolidar palanques regionais unificados em solo mineiro.
Quem disputa o governo mineiro
No campo de centro e esquerda, destacam-se as candidaturas do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e do ex-ministro Patrus Ananias (PT). O atual governador, Mateus Simões (PSD), concorre à reeleição, enquanto Gabriel Azevedo (MDB) também desponta entre os primeiros colocados na intenção de voto.
A lista completa conta ainda com Ben Mendes (Missão), Henrique Áreas (PCO), Indira Xavier (UP), Rafael Duda (PSTU) e Túlio Lopes (PCB).
Diante de tantas alterações e rearranjos de última hora, o eleitor mineiro enfrenta o desafio de compreender as alianças partidárias. Para o cientista político Malco Camargos, o cenário prejudica a tomada de decisão do eleitorado:
"Para o eleitor, a eleição tem sido cruel. Esse rearranjo de última hora, essa organização de última hora, faz com que o eleitor tenha mais trabalho para identificar os processos. E quanto mais trabalho ele tiver, maior a chance de ele errar na sua escolha", analisa o especialista.
Os principais nomes da disputa (Kalil, Patrus, Simões, Gabriel e Roscoe) já confirmaram presença no debate da Band Minas, no domingo.
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