Jornal da Noite

RS: Após chuvas, obras em colégio estadual atrasam aulas e geram revolta

Retirada de telhas durante período de chuvas intensas provocou alagamentos severos na Escola Estadual Visconde de Mauá, em Butiá; comunidade cobra urgência na conclusão dos reparos

Por Redação
REDAÇÃO

05/08/2026 • 01:04 • Atualizado em 05/08/2026 • 01:04

O atraso no início do ano letivo mobilizou pais, professores e funcionários da Escola Estadual Visconde de Mauá, localizada em Butiá, na Região Carbonífera do Rio Grande do Sul. A instituição, que tem mais de 80 anos de história e atende mais de 500 estudantes, enfrenta uma grave crise estrutural após intervenções no telhado coincidirem com o período de fortes chuvas na região.

Compartilhar

Transtornos acumulados e danos materiais

As obras de melhoria começaram em abril com o objetivo de sanar vazamentos antigos na cobertura do prédio. No entanto, durante o recesso escolar, as telhas foram removidas. Com o volume expressivo de chuvas registrado nas últimas semanas, o pavimento superior ficou completamente alagado, comprometendo a rede elétrica e gerando riscos à segurança da comunidade escolar.

"O que mais me deixa triste como professora de biologia é o nosso laboratório, anos de pesquisa por água abaixo."— Ellen Luize Gonçalves, professora

A falta de manutenção estrutural ao longo de oito décadas gerava apreensão recorrente entre os responsáveis pelos alunos. Diante do cenário atual de degradação das salas de aula, a indignação é generalizada.

"Desde o ano passado, cada chuva que acontece dá essa enxurrada dentro da sala de aula. A Lara já não quer vir para a escola, tem medo que o teto caia na cabeça."— Graziela Spoting, advogada e mãe de aluna

O impacto para os alunos atípicos e alternativas em debate

Entre as alternativas de curto prazo avaliadas para contornar o problema estão a realocação temporária dos estudantes para outra instituição de ensino ou a adoção do modelo de ensino à distância. Contudo, a segunda opção enfrenta forte resistência por parte das famílias, especialmente no caso de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

"Uma criança atípica se acostuma com professor, monitor, colegas... É muito mais difícil ela se adaptar sem previsibilidade. Fiquei três anos preparando meu filho para estudar nessa escola, agora de uma hora para outra dizem que vão mudar de escola. Isso é impossível para uma criança atípica."— Débora Stahlhofer, bacharel em direito

Famílias reforçam que a rotina escolar é um pilar fundamental no desenvolvimento dessas crianças, que aguardam o retorno às salas de aula e o reencontro com os colegas.

"Precisa manter uma rotina. Ele está com muita saudade dos colegas, da escola, quer voltar. É bem complicado."— Kelly Telles, dona de casa e mãe de aluno

Posicionamento do Governo do Estado

Representantes da Secretaria de Educação estiveram reunidos com a direção da escola para dialogar sobre os próximos passos. Em nota oficial, a Secretaria de Obras Públicas informou que a reforma está orçada em quase R$ 600 mil e que a empresa responsável instalou um sobretelhado preventivo, medida que acabou superada pela intensidade das precipitações.

O Governo do Estado garantiu que novas telhas já foram instaladas e que os trabalhos estão adiantados, com previsão de reocupação do prédio escolar em setembro, antes do prazo limite inicialmente estipulado para novembro.